
Na segunda edição do Fórum do Mercado e Indústria Digital (Find), profissionais da indústria criativa circulam pela Unisinos Porto Alegre, sede do evento desta quarta-feira, 29. Um deles foi Rafael Martins, coordenador de Comunicação Digital da Prefeitura de Porto Alegre, que conversou com Coletiva.net e analisou o cenário tecnológico. “A Comunicação Pública precisou mudar de lógica. Antes, bastava publicar uma informação. Hoje, é preciso disputar atenção em ambientes mediados por algoritmos, com grande volume de conteúdo, consumo acelerado e múltiplas narrativas circulando ao mesmo tempo.”
Na visão dele, neste contexto, comunicar no setor público deixou de ser apenas informar e passou a exigir estratégia. Martins defende que traduzir temas complexos em linguagem acessível, além de produzir conteúdo pensado para diferentes plataformas e formatos, são ações essenciais. Também cita como imprescindível entender o comportamento do público, acompanhar constantemente o desempenho do que é publicado e usar os dados que as plataformas fornecem.
O que não muda para o coordenador é o dever com o compromisso com a informação de interesse público. “Só que, agora, precisa-se fazer isso em ambientes onde relevância, tempo de retenção e capacidade de engajamento influenciam diretamente o alcance da mensagem”, complementa.
Experiência da Prefeitura
Ainda em entrevista ao portal, Martins, que atua na comunicação digital da Prefeitura de Porto Alegre desde 2021, conta que a presença digital é orientada por uma estratégia bem mais estruturada do que em anos anteriores. Hoje, existe mais direcionamento de presença institucional com objetivo de consolidar uma comunicação mais coerente, integrada e eficiente, em vez de operar apenas de forma reativa ou fragmentada.
Por outro lado, ele pondera que o atual processo não significa que tudo esteja completamente centralizado ou homogêneo. “Em uma estrutura pública ampla, com múltiplos órgãos, secretarias e frentes de atuação, sempre existe o desafio de alinhar fluxos, manter unidade de discurso e garantir consistência entre áreas”, analisa, completando: “Mas o avanço está justamente em transformar ações isoladas em uma lógica mais coordenada”.
IA como ferramenta de apoio
Para Rafael Martins, a Inteligência Artificial pode auxiliar na organização de informações. A Prefeitura se vale da tecnologia, por exemplo, em ilustração para publicações específicas, adaptação de linguagem, variações de conteúdo, monitoramento de tendências (por meio da plataforma Social Media Gov, por exemplo) e otimização de fluxos internos. “Ela serve como ferramenta de apoio”, resume.
Apesar do uso intenso, o coordenador alerta que é preciso ter critérios com a IA, pois ela não pode substituir apuração, contexto, responsabilidade editorial ou sensibilidade institucional. “O papel da IA é apoiar processos e ampliar capacidade operacional, não automatizar decisões sensíveis nem substituir o julgamento técnico”, analisa. E finaliza: “Em comunicação institucional, tecnologia só faz sentido quando reforça qualidade, transparência e interesse público”.
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O time de jornalistas de Coletiva.net acompanha, direto da Unisinos Porto Alegre, a segunda edição do Find, evento voltado a Branding e performance. Realizado em 29 de abril, o encontro reúne profissionais e especialistas para discutir tendências e práticas do setor. Durante a cobertura, como media partner, são produzidas matérias e entrevistas para o portal, envio de newsletters especiais, drops em Coletiva.rádio, além de repercussão e conteúdos exclusivos para as redes sociais. A cobertura conta com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre.

