
Foi realizado nesta manhã, durante o South Summit Brazil 2026 — feira de Inovação que se encerra hoje, 27, no Cais Mauá, em Porto Alegre —, o painel ‘Digital Sovereignty and Impactful Innovation: Brazil’s Strategy in Quantum Computing’. Com mediação de Jorge Krug, consultor do Conselho de TI do Banrisul, três especialistas falaram sobre a trajetória brasileira rumo ao domínio e à aplicação de tecnologias quânticas de maneira estratégica e soberana.
Com o objetivo de desmistificar a imagem do Brasil como mero consumidor de ferramentas de outros países, subiram ao palco Leonardo Camargo Rossato, presidente do Instituto de Ciências e Tecnologias Quânticas (ICTQ) Foton, Luiz Augusto Luccas, pesquisador em Computação Quântica no Venturus, e Ramon Medeiros, assessor de TI na Diretoria de Infraestrutura Tecnológica (Ditec) do Governo Federal. Os principais temas abordados por eles foram pesquisa, criptografia, políticas públicas e integração com a Indústria e Defesa.
Do quântico ao pós-quântico
Em sua fala, Leonardo Rossato defendeu o potencial do Brasil em produzir talentos. De acordo com ele, por se tratarem de tecnologias complexas, o desenvolvimento requer times multidisciplinares. “Essa área tem conceitos que precisam de um físico, que trabalhará com um conjunto de engenheiros de vários setores”, afirmou. Ele revelou que mapear esses profissionais tem sido um trabalho desenvolvido pela ICTQ Foton nos últimos dois anos.
Reforçando o protagonismo brasileiro, Luiz Augusto Luccas apresentou ao público um chip quântico feito em um laboratório de Campinas, em São Paulo. Ele também apresentou a lógica quântica, que se difere da lógica tradicional por trazer uma forma diferente de pensar — em vez de operar com os conceitos de verdadeiro ou falso, a ideia é trabalhar com probabilidades e estados sobrepostos. O especialista ainda defendeu as aplicações quânticas em formato híbrido, que permite que problemas formulados a partir dessa lógica quântica rodem em computadores clássicos. “Conseguimos extrair mais eficiência de alguns projetos apenas mudando a forma de pensar, é o que chamamos de Quantum Inspired”, argumentou.
Por sua vez, Ramon Medeiros trouxe mais detalhes sobre o surgimento da Ditec, que, entre seus serviços, realiza a segurança de documentos digitais e também opera o sistema de assinatura digital do Governo Federal. De acordo com ele, atualmente o Brasil conta com um ecossistema de confiança maior do que o da União Europeia. Contudo, um cenário pós-quântico já está no horizonte, o que torna necessário criar padrões de criptografia pós-quântica (PQC).
O time de jornalistas de Coletiva.net acompanha direto do Cais Mauá o South Summit Brazil – edição brasileira de um dos maiores eventos internacionais de Inovação e Tecnologia. Realizado de 25 a 27 de março, em Porto Alegre, esta é a quinta edição do evento em solo gaúcho. Neste ano, mais uma vez como media partner, são produzidas matérias e entrevistas para o portal, envio de newsletters especiais, drops em Coletiva.rádio, repercussão e materiais exclusivos para as redes sociais. A cobertura conta com o apoio da PUCRS/Famecos e do Grupo RBS.


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