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Coleta de dados ganha novas estratégias com LGPD e restrições aos cookies

Do comportamento digital às interações comerciais, diferentes tipos de coleta de dados passam a sustentar estratégias de Marketing Digital no cenário cookieless

A coleta de dados sempre foi um dos pilares do Marketing Digital, mas o avanço das regulações de privacidade e a transição para um ambiente cookieless mudaram profundamente a forma como as empresas obtêm informações sobre seus públicos. Em vez de depender exclusivamente de cookies de terceiros, organizações passaram a estruturar diferentes estratégias de data collection para construir bases próprias de informação e manter a personalização das campanhas.

Esse movimento ganhou força com legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As normas estabeleceram limites mais claros para o uso de dados pessoais e reforçaram a necessidade de transparência na coleta de informações dos usuários.

Na prática, isso levou empresas a diversificarem as formas de coleta de dados, combinando métodos que vão desde formulários de cadastro até análises comportamentais em plataformas digitais. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com segurança e proteção de dados pessoais, fatores que passaram a influenciar diretamente a arquitetura das estratégias digitais.

Além disso, esse cenário também tem pressionado as áreas de Marketing a investir em infraestrutura tecnológica capaz de organizar e integrar dados provenientes de múltiplas fontes.

1. Coleta declarada: quando o usuário fornece suas informações

Um dos formatos mais consolidados de coleta de dados é o modelo conhecido como coleta declarada, no qual o próprio usuário fornece suas informações diretamente para a empresa.

Esse tipo de coleta ocorre, por exemplo, em formulários de cadastro, downloads de conteúdos, inscrições em newsletters ou criação de contas em plataformas digitais. As informações podem incluir nome, e-mail, empresa, cargo, interesses ou preferências de consumo.

No contexto do Marketing Digital, esse modelo ganhou relevância por facilitar o cumprimento das regras de privacidade e consentimento exigidas pela LGPD. Como o usuário fornece seus dados voluntariamente, as empresas conseguem registrar autorização para uso das informações e estruturar bases de dados mais transparentes. Além disso, dados declarados tendem a ser mais precisos para estratégias de segmentação e personalização de campanhas.

2. Coleta comportamental: dados gerados pela navegação

Outro tipo de coleta de dados bastante utilizado é a coleta comportamental, baseada na análise das interações dos usuários em ambientes digitais. Nesse caso, as informações são geradas automaticamente a partir do comportamento de navegação em sites, aplicativos ou plataformas digitais. Entre os dados coletados estão páginas visitadas, tempo de permanência, cliques em conteúdos, downloads e interações com campanhas.

Historicamente, grande parte dessas informações era obtida por meio de cookies de terceiros. Porém, com as mudanças no ecossistema digital e o avanço das regulações de privacidade, muitas empresas passaram a priorizar dados coletados dentro de seus próprios ambientes digitais.

Esse movimento marca a transição para estratégias baseadas em first-party data, nas quais as marcas dependem menos de intermediários para compreender o comportamento dos consumidores.

3. Coleta transacional: dados gerados nas interações comerciais

Além das interações digitais, empresas também coletam informações a partir das próprias relações comerciais com seus clientes. A chamada coleta transacional envolve dados gerados em compras, contratos, interações com atendimento, histórico de relacionamento e uso de produtos ou serviços. Esses registros normalmente são armazenados em sistemas de Customer Relationship Management (CRM).

Essas informações ajudam a construir um histórico detalhado da jornada do consumidor e permitem identificar padrões de compra, preferências e frequência de interação com a marca. Para as áreas de Marketing e Comunicação, dados transacionais são particularmente valiosos porque permitem conectar campanhas a resultados concretos, como conversões, retenção de clientes e valor de ciclo de vida.

Integração de dados

Com a multiplicação de canais digitais, muitas empresas passaram a lidar com dados dispersos em diferentes plataformas. Sites, aplicativos, ferramentas de automação de marketing, sistemas de CRM e plataformas de mídia paga geram grandes volumes de informações que precisam ser consolidados.

Por isso, cresce o uso de integrações entre sistemas e Interfaces de Programação de Aplicações (APIs) para unificar essas bases de dados. Plataformas conhecidas como Customer Data Platforms (CDPs) surgiram justamente para organizar essas informações e criar uma visão integrada da jornada do consumidor.

A necessidade de integrar dados é um desafio recorrente nas organizações. Um levantamento do relatório ‘Panorama de Dados 2025’, da HubSpot, indica que 45% das empresas já perderam oportunidades de negócio devido à falta de integração entre sistemas de dados. Além disso, 68% das equipes entrevistadas gastam até cinco horas semanais apenas limpando ou transferindo dados entre sistemas.

Além disso, apenas 44% das empresas operam com relatórios padronizados entre as áreas, enquanto os demais usam abordagens mistas ou personalizadas. Essa fragmentação impacta a eficiência das estratégias digitais, já que diferentes áreas podem trabalhar com informações incompletas ou desconectadas.

Coleta de dados como infraestrutura estratégica

À medida que as jornadas digitais se tornam mais complexas, a coleta de dados deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a ser tratada como infraestrutura estratégica nas organizações. Nesse contexto, compreender os diferentes tipos de coleta de dados tornou-se essencial para estruturar estratégias de Marketing Digital capazes de equilibrar eficiência, privacidade de dados e conformidade regulatória.

Empresas que conseguem combinar dados declarados, comportamentais, transacionais e integrados tendem a construir bases de informação mais consistentes.


Alavancar essas tecnologias é fundamental para otimizar operações e potencializar o crescimento de negócios a longo prazo. Por isso, o cenário de tecnologia para Marketing conta com um espaço dedicado neste portal. Acompanhe na editoria ColetivaTech.

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