
Em um cenário em que a maioria das interações digitais é marcada pela dispersão, poucos ambientes conseguem reter atenção de forma consistente. Os games são uma exceção. Mais do que entreter, eles capturam foco ativo, uma característica que tem muito potencial ao ser aplicada ao Marketing Digital por meio de estratégias de gamificação.
De acordo com o ‘Global Games Market Report 2025’, da Newzoo, o mercado global de games deve atingir US$ 206,5 bilhões em receita e reunir cerca de 3,9 bilhões de jogadores até 2028, consolidando-se como uma das maiores indústrias de entretenimento do mundo. Mais do que escala, no entanto, o dado relevante está no comportamento: trata-se de uma audiência altamente engajada, que dedica tempo ativo e voluntário às experiências. Essa é justamente a base que sustenta o avanço da gamificação e do in-game advertising.
Atenção qualificada e avanço da gamificação no Marketing
Esse nível de envolvimento não é trivial, especialmente ao pensar em estratégias gamificadas. Segundo o ‘PC & Console Gaming Report 2025’, também da Newzoo, o tempo de jogo global cresceu 6% em 2024, mas concentrado em menos títulos, indicando que os usuários estão cada vez mais seletivos e profundamente engajados com os conteúdos que consomem.
Na prática, isso significa que o ambiente gamer opera com um tipo de atenção diferente da mídia tradicional. Não se trata de exposição passiva, mas de imersão contínua — um contexto em que o usuário está cognitivamente envolvido, emocionalmente investido e menos propenso a dispersões externas.
No cenário do Marketing, esse comportamento traz uma grande oportunidade para o uso da gamificação: a de veicular mensagens que não precisam competir com múltiplos estímulos simultâneos e passam a se inserir dentro de uma experiência já absorvente.
Mobile e a expansão do in-game advertising
Dados da Playwire, divulgados no estudo ‘In-game Advertising Statistics’, apontam ainda para o protagonismo do mobile. Com 2,7 bilhões de jogadores e participação de 90,4% na receita de anúncios in-game nos Estados Unidos, o smartphone se consolida como principal interface entre marcas e usuários dentro do ecossistema gamer.
Além disso, a lógica da interrupção, dominante em outros canais digitais, encontra resistência no ambiente gamer: são 54% dos usuários que consideram os anúncios intersticiais disruptivos. Em contrapartida, formatos integrados ao ambiente apresentam índices significativamente menores de rejeição.
Anúncios intrínsecos ao jogo — seja por meio de outdoors virtuais, product placement em cenários ou experiências interativas — registram taxa de ação de 34,1%, superando todos os outros formatos analisados. Ou seja, a eficácia não está apenas na visibilidade, mas na forma como a mensagem se insere na experiência.
E embora o mobile concentre 55% da receita de anúncios in-game, os consoles e os PCs ainda representam 45% do mercado somado. Esse equilíbrio indica que o consumo de games não é homogêneo e que diferentes plataformas oferecem distintos níveis de engajamento em estratégias gamificadas.
Da presença à estratégia: pilares da gamificação e do in-game advertising
Ainda de acordo com a Playwire, o mercado de in-game Marketing deve subir para US$ 17,9 bilhões até 2032. O relatório ‘In-Game Advertising Market – Forecasts from 2025 to 2030’, da Research and Markets, também segue a mesma linha: o setor foi avaliado em US$ 10,8 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 17,6 bilhões até 2030, com crescimento anual de cerca de 10%.
Na prática, o uso estratégico de in-game advertising passa por três caminhos principais:
- Branding contextual: marcas se inserem em cenários virtuais de forma orgânica (como placas em estádios digitais ou produtos em ambientes simulados), sendo um formato particularmente eficaz para construção de memória de marca;
- Engagement ativo: experiências interativas ou minigames que permitem participação direta — aqui, a lógica se aproxima da gamificação aplicada fora dos jogos, mas com maior potencial de imersão;
- Coleta de dados comportamentais: interações dentro dos jogos permitem capturar informações sobre escolhas, tempo de permanência e padrões de navegação, gerando insumos mais ricos para estratégias de segmentação e personalização.
É por isso que, mais do que um canal isolado, o in-game advertising começa a ser integrado a estratégias mais amplas de mídia e dados. A possibilidade de mensuração, segmentação e ativação coloca os games dentro do ecossistema de mídia programática e performance.
Com isso, campanhas podem combinar exposição em jogos com outras frentes digitais, criando jornadas mais consistentes e conectadas. Ao mesmo tempo, o ambiente gamer oferece algo que outros canais têm dificuldade em entregar: tempo de atenção qualificada em larga escala.
Alavancar essas tecnologias é fundamental para otimizar operações e potencializar o crescimento de negócios a longo prazo. Por isso, o cenário de tecnologia para Marketing conta com um espaço dedicado neste portal. Acompanhe na editoria ColetivaTech.


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