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20 de setembro?

Mais uma vez, a comunidade ligada às tradições do Rio Grande do Sul organiza-se no Parque da Harmonia em acampamento. O chamado “Acampamento Farrroupilha” …

Mais uma vez, a comunidade ligada às tradições do Rio Grande do Sul organiza-se no Parque da Harmonia em acampamento. O chamado “Acampamento Farrroupilha” de acampamento tem muito. De Farroupilha, muito pouco.

Isto porque a ideia inicial do acampamento farroupilha era a de reproduzir o campo na cidade, celebrando a Revolução Farroupilha. E assim foi feito. Com o passar dos anos, porém, virou qualquer coisa. Menos acampamento farroupilha. Um festival de marcas e bandeiras de marcas associadas à festa que não têm nenhuma vinculação com as tradições gaúchas. São contratos de oportunidade em que tudo o que as marcas querem é pegar uma carona nos milhares e milhares de cidadãos que passarão por lá nos dias deste “acampamento”. Se esta marca tem ou não a ver com alguma tradição, tanto faz. Só vamos lembrar que se uma marca pega esta carona, é porque há quem assine o contrato na outra ponta. Não vamos, a exemplo do que muitos fazem com a TV Globo no futebol brasileiro, tornar as marcas vilãs. Não são santas, mas se estão lá é porque alguém consentiu.

Ao se passar pelo Parque da Harmonia nos dias dos festejos, vemos incontáveis daquelas bandeirolas em pontas de hastes de metal, com marcas de cerveja, de telefonia, etc. Uma poluição visual inacreditável – mas consentida. Visam o consumo de seus produtos ou serviços, pegando carona na onda da loucura em que as pessoas vivem hoje.

 A Feira do Livro de Porto Alegre é outro exemplo. O que menos se faz por lá é ver livro. As pessoas vão para entrar na onda, também porque “todos estão lá”(como se isto fosse garantia de algo bom), para tomar uma cerveja no bar da feira. Ah, claro: tem também os livros, se der tempo.

Voltando ao “Acampamento Farroupilha” de Porto Alegre, ele já não existe mais. O que existe é uma festa totalmente perdida de seu propósito original. As pessoas vão até lá porque vão, pra dizerem que foram, para se sentirem pertencentes a alguma coisa. São muito comuns os casos de bebedeira, de brigas, sem falar das precárias instalações que são erguidas. Claro, há alguns tradicionalistas perdidos por lá, até isto se encontra.

Porém, o objetivo do “Acampamento Farroupilha” é o mesmo de alguns eventos de Porto Alegre: reunir o maior número de pessoas possível, mesmo que deturpando sua proposta inicial. Tal como a Expointer, igualmente um grande festival de gente.

Não vamos nem entrar no mérito da incomodidade que é participar destes eventos. Estacionamentos caríssimos, transportes urbanos lotados, preços aviltantes, as pessoas literalmente se batendo para percorrer os espaços. Paro por aqui.

Autor

Flavio Paiva

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