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A Bíblia e os Simpsons

A família quer trazer Lisa, budista, de volta à Igreja. A tática do pastor: tentá-la com um presente desejado no Natal, um pônei, porque …

A família quer trazer Lisa, budista, de volta à Igreja. A tática do pastor: tentá-la com um presente desejado no Natal, um pônei, porque um bom presente é a melhor forma de converter alguém, não a Bíblia, “esse sonífero de duas mil páginas”. Ok, pode ser que a Bíblia converta pouca gente, pode ser que apenas reforce a posição de quem já se converteu ou só espera um pretexto pra se converter, mas chata? Claro que um livro tão grande tem muito enchimento e a linguagem, hoje, realmente é uma barreira, mas, cá pra nós, tem histórias impagáveis, alguns dos melhores contos de fadas que já li.

Dicionário do mau digitador

Ventiulador. Ventilador fabricado por alguém que admira muito O morro dos ventos uivantes.

Raymond Chandler

“A maioria dos escritores tem o egoísmo dos atores sem sua beleza física nem seu encanto.”

La guerra gaucha

Comentando o livro do Lugones, Adolfo Bioy Casares diz: “Se alguém aparecesse hoje com um livro nesse estilo, as pessoas o rejeitariam, dizendo que é intoleravelmente amaneirado. Agora, como o livro foi aceito, todo o mundo o admira. A explicação deste fato: os livros são como as florestas, de que se fala, mas onde ninguém se aventura”.

Primeiras obras

Bioy: “Talvez eu tenha uma insensibilidade especial para avaliá-las, mas, citados numa mesma página crítica versos daquela obra e da atual, me parecem de dois autores distintos. Em sua obra de juventude, as ideias estão lá, mas expressas pela metade, junto com outras impertinentes. Talvez a maioria dos críticos não saiba nada; tem, em literatura, um desenvolvimento que corresponde à segunda série primária”.

Borges: “Eu me vejo um pouco como (George) Moore, que começou escrevendo absurdamente e conseguiu melhorar. Claro que Moore alcançou excelências muito superiores às minhas… Minhas primeiras obras são incorrigíveis”.

O bom escritor

Faulkner: “O bom escritor jamais solicita subsídio a qualquer instituição cultural. Está sempre ocupado escrevendo alguma coisa”.

É verdade, mas se alguém quiser fazer doações, não se constranja. Dar meus dados bancários não leva muito tempo.

Ou não é verdade? Batalhar por subsídios depende do temperamento do escritor, me parece, não do fato de ter ou não ter talento. Nem ninguém fica escrevendo o tempo todo. Sem contar que há muito medíocre trabalhador.

Do modo como Faulkner fala parece que o talento salva o cara até de ter piorreia. O talento seria uma espécie de Santo Sudário que abrigaria o escritor de mamar nas tetas oficiais e de bala perdida.

Teste. Faça uma lista de trinta bons escritores e dê uma examinada na biografia deles. Vamos ver quantos se enquadram na descrição do Faulkner.

Autores novos

Notei que escritores jovens estão usando palavras que eu pensava enterradas pra sempre, como todavia e quiçá, ou expressões ridículas e obscenas como via de regra. Não faço ideia do que isso quer dizer. Mas se desenterrarem outrossim, não cheguem perto de mim, porque o pau vai comer. Há limites mesmo pra profanadores de tumbas.

Agruras de um jurado

Borges, convidado para ser jurado de um concurso de ensaios: “Ler ensaios será uma novidade, embora seja mais fácil julgar poesias, [por] que em poucos versos [os poetas] se suicidam”.

Ulisses

Mais que um romance, é uma superstição.

Autor

Ernani Ssó

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