O tema desta coluna tem por objetivo valorizar uma categoria no jornalismo (e na arte) que não tem recebido o devido valor. Refiro-me à charge, ou cartum, como preferem alguns profissionais dessa área. Entre os argumentos para não abrir mais espaço para os chargistas/cartunistas é que neste período de migração da mídia impressa para a comunicação digital, é preciso reavaliar o impacto e a importância do segmento. Discordo, só posso atribuir a uma inexplicável discriminação ou falta de Inteligência dos responsáveis por jornais, revistas, blogs e sites.
O que me levou a abordar este assunto foi ver um espaço nobre no maior jornal do Sul do país, Zero Hora, o grande chargista Marco Aurélio, que está em férias, ser ocupado ora por uma foto, ora um desenho sem nexo, por vezes uma tirinha? HQ, mas nada formal. Para o bom jornalismo, seria uma ótima oportunidade para valorizar alguém como interino. Temos muitos bons profissionais disponíveis no mercado e vou citar apenas alguns, como Moa, Kayser, Simch, Bier e outros. Talvez a identificação partidária seja uma restrição para ZH, pois muitos destes artistas são simpáticos ao PT.
De qualquer forma, creio que a medida é um retrocesso. ZH que se vangloria de apostar em jovens talentos – embora tenha abandonado o projeto de Jornalista Por Um dia e Novos Talentos – desculpem se o nome não é exatamente assim, o que não vem ao caso – poderia ter divulgado em algumas faculdades que haveria essa oportunidade por um mês. Eu gostaria, por exemplo, de poder participar de uma seleção de jovens talentos em charge/cartum para escolher o melhor. Ou quem sabe uma comissão da Associação Riogradense de Imprensa e do Sindicato dos Jornalistas.
Quem sabe não estaríamos revelando um talentoso artista, digno de, futuramente, estar no Charlie Hebdo. Hã! Mas é uma pena…
Que ao menos ZH escolha uma foto mais curiosa e significativa, não apenas uma imagem para “tapar buraco”.

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