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A cidade dos congestionamentos, das filas e da impaciência voltou das férias

Nem bem se encerrou o mês de fevereiro, que em 2016 apresenta um dia a mais por ser bissexto, e Porto Alegre já vive …

Nem bem se encerrou o mês de fevereiro, que em 2016 apresenta um dia a mais por ser bissexto, e Porto Alegre já vive o caos das grandes cidades não planejadas para o crescimento urbano. Em qualquer hora do dia, proliferam os congestionamentos nas vias principais e secundárias. E os motoristas, com a sua impaciência rotineira, colam a mão nas buzinas ensurdecendo o pedestre que aguarda uma brecha para tentar atravessar as ruas. Em qualquer lugar que se necessite ir, é preciso enfrentar as filas. E munir-se de tolerância para ouvir tanta bobagem dita por estranhos que compartilham da nossa companhia nestes momentos.

Porto Alegre dos ônibus que circulam pela cidade ostentando as cores azul, vermelha e verde, com uma passagem absurda de R$ 3,75, da Redenção com suas árvores derrubadas pelo temporal do dia 29 de janeiro, da rivalidade entre Grêmio e Internacional, dos assaltos que aconselham o cidadão a fazer um estoque alimentar e não sair mais de casa, voltou das férias de verão. Porto Alegre do prefeito e do vice que inauguram, com notícia na grande mídia, lixeiras no Largo Glênio Peres, no centro da cidade, das pessoas que levam os seus caninos para passear e não recolhem os dejetos dos bichos em sacolas plásticas, retornou das férias de início de ano.

E como todos que chegam de um período de descanso, Porto Alegre regressa com a sua intolerância renascida, com sua impaciência de plantão, com sua inquietude desperta e com compromissos com caráter de urgência. Nada pode esperar. Nada pode ser resolvido amanhã. Nenhuma tarefa do calendário combina com cronogramas milimetricamente arrumados. Porto Alegre chegou da praia, da fazenda, do interior do Estado, do Nordeste, do Rio de Janeiro, da Disney, da Argentina, do Uruguai, do Chile e de outros destinos preferidos com o desrespeito às leis de trânsito latente, com a ideia de levar vantagem e furar a fila nos bancos, nas lojas, nos cinemas em primeiro plano.

A capital gaúcha reaparece, depois de dois meses de férias, para conviver com a violência nas esquinas, na Rua dos Andradas, na Padre Chagas, na José de Alencar, na Protásio Alves, na Osvaldo Aranha. Porto Alegre ressurge, neste final de fevereiro, para o deleite dos assaltantes, que se aproveitam da inércia instalada na segurança pública e gargalham para a falta de solução apontada pelo Governo do Estado. A cidade reapresenta-se neste quase início de março para recepcionar os estudantes das escolas particulares que já ocupam os bancos escolares, os universitários que necessitam conviver com a ausência de horário do transporte público, os trabalhadores que precisam sair com horas de antecedência a fim de não se atrasarem para o serviço e os moradores de rua que dia a dia aumentam sua população.

Portanto, se você, por inúmeros motivos pessoais, financeiros ou profissionais, ficou na cidade em janeiro e fevereiro, e não desfrutou das delícias das férias, prepare-se para compreender melhor a sua cidade. Ela volta com a pressa dos descansados. Ela retorna com a impaciência de quem aproveitou o sol, abusou da comida e da bebida e agora quer recuperar o tempo perdido. Ela regressa com a imediata atitude de quem ignora as convenções sociais e exigirá o primeiro lugar nas filas e criará um desvio proibido para escapar do trânsito trancado. A metrópole reingressa na rotina acelerada das grandes cidades. Você, cidadão ou cidadã que adora a sua cidade, faça um esforço e perdoe Porto Alegre neste atropelo do cotidiano.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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