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A era do profissional multimídia

Como profissional de comunicação, na faculdade especializei-me em Jornalismo Gráfico e Audiovisual, o que dá a entender que o meu aprendizado deveria ser focado …

Como profissional de comunicação, na faculdade especializei-me em Jornalismo Gráfico e Audiovisual, o que dá a entender que o meu aprendizado deveria ser focado para trabalhar com mídia impressa, rádio e imagem (fotografia, filmagem, mas não cinema). As outras especializações eram Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. E até que naquele tempo, na década de 70, alguns professores eram esforçados, outros ineficientes, outros pouco interessados, e a estrutura da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação) era sofrível.

Mesmo assim, conseguimos aprender alguma coisa que nos servia para enfrentar o dia a dia de uma redação como estagiários ou recém-formados. Sabíamos, no entanto, que deveríamos ter aprendido mais. Muito mais. Mas os tempos mudaram. E como mudaram! Hoje a especialização é um conceito jurássico para quem pretende trabalhar com jornalismo ou comunicação. Hoje, o profissional de comunicação precisa ser multimídia, saber, não um pouco, mas muito, ou pelo menos o suficiente para pode encarar qualquer parada. Sempre achei que cada um deveria cuidar do seu “quadrado” para poder se dedicar a isso e fazê-lo muito bem. Eu estava errado.

Hoje, entendo que é importante que um estudante de comunicação tenha o melhor e mais completo aprendizado. Nada de segmento, é entender e poder fazer tudo. Como lamento não ter aprendido a diagramar (ou para usar uma expressão moderna, ser também designer), a fotografar, a entender sobre publicidade e propaganda – o marketing ainda é atividade recente, mas fundamental – e relações públicas. Então, se eu tivesse o poder de reestruturar o ensino da Comunicação, certamente, faria questão de unificar os diplomas e formar profissionais completos. Claro, a especialização viria mais tarde, ai sim, com uma pós-graduação, um mestrado, um doutorado. Mas a base seria outra: preparar o profissional de comunicação para enfrentar qualquer desafio.

Em algum tempo do passado, a RBS TV tentou fazer esse “aproveitamento” mais amplo, na ocasião considerado pelos sindicatos uma “exploração”, porque o repórter fazia a pauta, as entrevistas, a coedição e apresentava a matéria. Era uma forma inicial se ir suprimindo vagas pelo acúmulo de funções. Não deu certo. Assim como não deu certo a ZH tentar ensinar os repórteres e editores a diagramar. O método, a forma de tentar essa mudança, foi errado, como uma imposição e não como uma opção de aprimoramento, complemento profissional.

Mas hoje tudo mudou, a comunicação passar por um processo de reestruturação, novas formas, novos desafios, perda de rentabilidade das empresas etc. E resolvi abordar este assunto porque recentemente, em uma cobertura jornalística, um colega comentou que precisava sair rapidamente do local porque precisava mandar um texto para ser aproveitado no site do veículo, deveria dar um boletim para a rádio e depois iria para a redação finalizar a operação com o texto para o jornal impresso. Bem… só faltou ter que dar uma boletim para a TV e diagramar seu próprio texto. Mas não leva tempo e será assim: multimídia.

Ah! E se for jornalista de assessoria ou de empresa de comunicação, ainda terá que enviar o texto para dezenas de veículos e depois telefonar para os principais tentando valorizar o relacionamento e saber se precisa de… mais alguma coisa! Se for um jornalista dono de veículo próprio (jornal, site, blog, programa de TV), ainda tentará vender algum anúncio. É mole! Mas é o futuro da comunicação.

Se isso é bom ou ruim, cada profissional deve fazer a sua avaliação, sem esquecer que é o mercado que dita as regras.

Autor

Julio Sortica

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