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A escola como sempre foi: um lar para nossos filhos

Por Grazi Araujo

A autorização para o retorno das aulas precisa ser entendida, interpretada e pensada por diferentes lados. Sair julgando decisões, sem se colocar no lugar de todos os envolvidos, é precipitado. Talvez resgatar aquele sentimento tão na moda seja uma forma de não apontar o que é certo ou errado. Nada é seguro ainda, até que chegue a vacina. Mesmo com todas as recomendações de prevenção, o medo é um companheiro na rotina de quem precisa sair da porta pra fora, desde aqueles que ainda seguem de home office, que saem até a padaria ou apenas para levar o lixo para rua. Corremos riscos o tempo todo.

Sou mãe de um menino de 9 anos que tem a sorte de poder ficar seguro em casa desde março. Somos privilegiados, eu não tenho receio de afirmar, mas não dá para olhar só para o meu umbigo. Fico pensando nesse montão de pais e mães que seguem trabalhando diariamente e que tinham na escola a sua principal rede de apoio. Avós ausentes ou que vivem em outra cidade, familiares mais próximos que têm as suas vidas independentes e não podem ser escalados para tomar conta de uma criança em tempo integral, amigos, vizinhos, desconhecidos. Como faz para ir trabalhar? Será que as empresas estão oferecendo algum suporte? Quase tudo está aberto, mesmo com horários restritos. Em cada estabelecimento, mães e pais preocupados e apreensivos até chegar a hora de reencontrar com os filhos. Se eu tivesse numa situação assim, seria um acalento receber a informação que poderia retornar à escola. Sem contar que a distância faz com que muitos pais não acompanhem o desempenho escolar que hoje está sendo medido no home schooling.

Vejo como assertiva a decisão de reabrir as escolas, dando a opção para as famílias decidirem qual o melhor formato de seguir com os estudos. É claro que não será igual, que o lúdico não será tão brilhante, que dividir não será mais um conselho e que o pega-pega vai ter que mudar de formato. Sempre admirei muito as escolas infantis por todo o empenho em tornar aquele lugar a segunda casa dos alunos, repleta de afeto, cuidado, comidinhas gostosas e professoras preocupadas em preparar cidadãos para o mundo. Por que seria diferente agora? Eu tenho absoluta certeza de que terão o maior zelo por cada etapa de precaução.

Sim, há perigo de transmissão. Sim, eles são vetores. Assim como nós, a partir do momento que saímos para trabalhar, ir ao supermercado, à farmácia ou como disse no início do texto, na portaria do prédio. A tranquilidade de saber que nossos filhos estão seguros talvez seja difícil demais de mensurar. Mas como estamos isolando – ou deveríamos – os avós (muitas vezes a única opção de apoio), têm lares em que não há outra saída senão a escola. Soube de muitos cuidadores que reúnem as crianças em suas casas para possibilitar que os pais sigam com seus ofícios. Também tiveram aqueles que optaram por ver pais e filhos pela janela, já que não havia outra saída. Entre tantas outras escolhas que tiveram que ser feitas, muito mais arriscadas do que deixar o filho na escola, que com absoluta certeza terão muito cuidado com a higiene.

Já vimos que não dá para seguirmos parados. Estamos, mesmo que aos poucos, retomando nossas atividades. Quem tem a opção de escolher ficar em casa, é abençoado e deve agradecer todo dia ao Cara lá de cima. Não vejo como jogo político, pressão ou algo do gênero. Vejo a decisão como uma forma de incentivar a vida da forma como ela está. A Organização Mundial da Saúde projeta a vacinação em massa para 2022. E aí, como ficaremos até lá?

Talvez os mais grandinhos consigam se virar em casa na ausência dos pais, suportem mais a distância dos amigos, dos professores e de tudo que a pandemia arrancou da juventude deles. Há danos e ganhos, como sempre. A diferença é que não tivemos escolha. Não será fácil, eu tenho certeza. Só saberemos vivendo, acreditando e cuidando. Meu apelo com esse textão é que aqueles que têm opção de manter seus filhos dentro de suas casas ampliem o olhar e reflitam que o melhor para um pode ser bem diferente do que é para o outro. A pandemia clama por solidariedade, paciência e compreensão. Que apontemos menos dedos e possamos, assim, arregaçar as mangas para fazer um futuro melhor.

Autor

ond@web

Repórter especial

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