Colunas

A fábula do tempo livre

Há alguns anos começou a circular uma idéia tortuosa de que os avanços tecnológicos nos deixariam com mais tempo livre para outras coisas, em …

Há alguns anos começou a circular uma idéia tortuosa de que os avanços tecnológicos nos deixariam com mais tempo livre para outras coisas, em especial o lazer. Sempre achei que eu era o único mané que não tinha tempo livre, pelo contrário: cada vez me sentia mais assoberbado e cheio de atividades de trabalho.

Os laptops e celulares e mais recentemente os celulares com recursos de laptops fazem com que estejamos 24 horas por dia conectados e, entendem as empresas, portanto disponíveis. Emails enviados no sábado à noite devem estar devidamente lidos, entendidos e com as providências tomadas na segunda-feira de manhã. Com isto, ficou valendo a Teoria da Relatividade no mundo dos negócios: o tempo passou a ser relativo e, de um modo geral, muito pequeno, curto e escasso.

Neste contexto entra o lazer. Li a entrevista com Christopher Edginton, na última IstoÉ. Ele é secretário-geral da World Leisure Organization, um órgão não-governamental que presta consultoria à Organização das Nações Unidas(ONU). O entendimento deste especialista é de que numa sociedade tão competitiva e assolada pelo stress, o acesso a momentos de lazer se tornou tão essencial para os indivíduos como serviços básicos, como transporte e educação.

Importante destacar que ele entende lazer não como mero tempo livre, mas como a possibilidade de o indivíduo realmente aproveitar este tempo livre de forma real. Não basta ter tempo livre se ficamos com a cabeça no trabalho. Temos que ter tempo e condições mentais de aproveitar este tempo, de tal forma que seu uso nos traga uma contrapartida de saúde, ou seja, termos horas de lazer que nos gerem um benefício de saúde mental ou física.

Outra consideração muito importante é a seguinte: nosso trabalho sempre foi nosso cartão de visitas, ou seja, dizíamos (e dizemos) que fulano é jornalista, beltrano é médico, etc. A profissão serve para nos posicionar frente à sociedade e dar-nos um nível de status. Pois o mesmo está agora acontecendo com o lazer: fulano joga golfe, beltrano joga tênis. O lazer entra agora como um outro elemento definidor de nossa personalidade e status frente à mesma sociedade.

Ainda na definição de Edington, o lazer é o tempo pelo qual as pessoas medem a satisfação nas suas vidas. O lazer cria espaço e tempo para você aprender uma nova habilidade, adquirir conhecimento, rever valores, refletir sobre o relacionamento com outras pessoas, enfim, viabiliza a transformação pessoal. Resumindo, é através do lazer que evoluímos, enfim, como seres humanos. Pense sobre isto e reveja seu dia-a-dia.

Autor

Flavio Paiva

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.