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A gente sabe, desde criancinha de olhinho fechado quase 18h por dia, que há três assuntos que, na vida, vão sempre gerar problema: política, …

A gente sabe, desde criancinha de olhinho fechado quase 18h por dia, que há três assuntos que, na vida, vão sempre gerar problema: política, religião e escolha de time – aqui, no Brasil, especificamente, é futebol. Mas tem horas em que a prudência se afasta e a estupefação empurra a gente ao risco.

Li, faz pouco, que um pastor de uma das milhares de “igrejas” evangélicas deste país está oferecendo débito em conta para os fiéis. Em troca, o feliz doador ganhará um mimo de Jesus!

Enfim, chegamos ao aprimoramento do deboche canalha. Não só nesta questão, a da religião da fé cega com faca amolada. Em todos os setores da vida há uma visível premiação da safadeza em detrimento do bom mocismo. Por mais que se queira ser otimista e tapar o sol com a peneira, não dá mais.

Revi, esta semana, Siriana, um filme que considero devagar, quase parando, que me dá bocejos em muitas cenas e em que George Clooney rotundo não me convence, nem mesmo arrancando as unhas. Agora, a história, realmente, incomoda. Apesar de todos os vaivéns do filme, a “mensagem” fica: o poder é podre e dele e de sua ação deletéria não escapa ninguém que a ele se alie ou dele desfrute. Não escapa de ficar com o rabo preso, nem escapa de morrer, caso ouse querer retirar o rabo da ratoeira.

Estou enjoada, sim, nesta sexta feira de um frio que tanto esperei, já que, depois dos cabelos brancos optei pelos dias sem aquele calor de suar feito vaca subindo morro. Estou enojada porque não posso entender como alguém que vintiplica seu patrimônio em quatro anos, sem ter herdado um dimdim da família do Bill Gates ou do padrinho aquele que não via fazia 40 anos  e que era muiiiiiiiiiiiiiito bonzinho, e, além de fazer este milagre da multiplicação diz que outros foram canalhas como ele, esse alguém ainda merece o benefício da dúvida e espaço nobre no noticiário.

Tudo é puro sarcasmo, maldade mesmo, no que nos ronda. Eu até que andava com boa vontade, quieta no meu canto, descansando o lombo das chibatadas dos donos da verdade, mas não dá para ser tão laika, como diria meu querido Caio F. Minha dor de garganta é sintomática, sempre: quando ela pinta, é porque estou calando demais, me moldando demais ao que se convencionou chamar de “bons modos” e aceitando demais baixar a cabeça e concordar quando dizem: “não adianta nada falar, tem de ficar quieto,nada vai mudar, deixa pra lá”.

Não posso. Tenho, em casa, dois exemplos literais de trabalhadores honestos, que poupavam e poupam até hoje para se manter com pouco mais de 1 mil reais por mês.  Nunca canso de citar meu pai e minha mãe, oitentões, retos apesar de doentes, que jamais admitiram ficar com um pila que não resultasse de seu trabalho digno, diário, sofrido, madrugado e muitas vezes mal alimentado. Acho, então, que Deus anda cochilando demais, que está na hora de soarem as trombetas e de descer os anjos com espada de fogo á Terra.  E que o mal seja cortado pela cabeça. Amém.

Autor

Maristela Bairros

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