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A guerra contra os Google Books

Em 48 a.C, o imperador romano Júlio César incendiou a Biblioteca de Alexandria, no Egito, que durante sete séculos havia concentrado toda a cultura …

Em 48 a.C, o imperador romano Júlio César incendiou a Biblioteca de Alexandria, no Egito, que durante sete séculos havia concentrado toda a cultura conhecida. Na era cibernética, Microsoft e Yahoo querem agora dinamitar um projeto semelhante antes que se concretize, a Biblioteca Virtual do Google, que pretende digitalizar “todos os livros do mundo”.

A Google Books já digitalizou um milhão de livros com direitos já vencidos ou por vencer. Há seis meses, o Google chegou a um acordo com as organizações American Publishers e Autors Guild, pelo qual os autores receberiam 70% de suas obras digitalizadas. A Biblioteca Nacional da França já entrou nas negociações.

Este acordo será julgado em setembro, e Microsoft, Yahoo e Internet Archive uniram-se na “Open Book Alliance” para torná-lo ilegal. “Acreditamos que, se o acordo for aprovado, o Google conseguirá um monopólio sancionado pela Justiça e a exploração de uma coleção inigualável de livros”, afirma Peter Brantley, diretor de acesso da Internet Archive.

Microsof e Yahoo não fizeram declarações, mas sua Open Book Alliance vem ganhando adeptos. A Amazon ainda não se pronunciou. Compreende-se, ela tem o Kindley, leitor eletrônico que está começando a fazer sucesso no mercado.

A Fundação Electronic Frontier e a organização americana de defesa dos direitos do consumidor Consumer Watchdog, entre outros, enviaram uma carta ao Google para pedir que garanta aos americanos “que vai manter a segurança e a liberdade que os frequentadores de bibliotecas têm há tempos para ler e aprender qualquer coisa sem se preocupar com alguém observando ou se seus passos podem ser seguidos”.

Pelo acordo firmado com autores e editores, o Google pretende oferecer acesso gratuito a alguns livros através de seu mecanismo de busca, além de vender outros, com a receita partilhada entre a companhia e os donos dos direitos das obras. Os críticos do acordo acreditam que o negócio vai dar ao Google muito poder em relação à política de preços praticada no mercado, além de mostrarem preocupações em relação à capacidade da empresa de armazenar mais dados pessoais sobre os usuários de seu popular mecanismo de busca, ao rastrear o que estão lendo. Por outro lado, há quem veja enormes benefícios, como bibliotecas, instituições de ensino e autores.

“O acordo do Google Books está aumentando a competição no setor de livros em formato digital, então é compreensível que os nossos concorrentes possam lutar duramente para evitar mais competição”, disse Gabriel Stricker, porta-voz do Google. E arrematou: “É irônico que algumas destas queixas venham de companhias que abandonaram suas iniciativas de digitação de livros por falta de apelo comercial”.

Autor

Iara rech

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