Na verdade, o título desta conversa deveria fazer uma ironiazinha com os tempos modernos: deveria ser tempos “mudernos”, assim, como se fala para debochar de tudo que é atual mas modernoso, na verdade. Não sei se é caso para ser tão ferina, mas, especialmente esta semana, alguns acontecimentos na minha vida de assessora de comunicação me deixaram entre o aborrecida, o estupefata (o palavrão, me perdoem, se faz necessário) e o ainda mais desiludida com o que anda acontecendo conosco, jornalistas, novos e antigos. E tudo se resume à verdadeira preguiça que se estabeleceu em torno deste trabalho de busca e publicação de informação desde que apareceram justamente as assessorias de imprensa e, mais recentemente, a internet.
Não nego a importância do assessor de imprensa, afinal, estaria dando um tiro no meu próprio pezinho. Só pondero que, desde que se passou a fornecer e aproveitar o material enviado por assessorias, ao mesmo tempo que se facilitou a vida nas redações, se abriu a porta para que se instalasse um certo comodismo com o qual não posso me conformar.
Uma coisa é fornecer pautas para que o jornalista possa produzir seu material tendo um ponto de partida para uma matéria maior, com sua originalidade e seu enriquecimento de dados. Outra é este jornalista, certamente sobrecarregado com pautas, reconheço, achar mais fácil levantar o telefone para tentar espremer o assessor em vez de sair à luta com base no que já tem em mãos.
Tenho, mesmo, um sentimento contraditório quanto a este fato: fico satisfeita por saber que o que produzo é tão importante que aparece tal e qual envio. Este é o jornalismo moderno, instantâneo, de momento, que vira página virada na web em questão de minutos, com a notícia recém-enviada sumindo na lista e substituída por outras mais recentemente ainda chegadas a seu destino. Isso é agilidade, entusiasma até mesmo o mais saudoso usuário de máquina de escrever (e como tem!!!), mas não é tudo.
O material de assessoria é um guia no universo de milhões de dados informativos em que estamos mergulhados. Salvo exceções, pode ser produzido sob medida e exclusivo para algumas mídias, alguns veículos, de acordo com conversações. Mas, na maior parte do tempo, ele é um resumo útil que ocupará determinado espaço conforme diferentes critérios de avaliação do repórter, do redator e do editor. Ponto.
O que não dá para aceitar é que um repórter, com uma informação de assessoria em mãos e tendo de produzir um material mais amplo, não procure ferramentas óbvias que já estão indicadas na própria notícia-pauta recebida. Dói, mais que nos ouvidos de velha jornalista, nos meus brios de profissional da comunicação, ouvir solicitações que envolvem uma busca rápida via google ou mesmo um contato direto com as fontes citadas. Dói mais ainda sentir que está-se perdendo o saboroso jogo de produzir um texto único, diferenciado, que tanto me dava prazer quando saltei dos bancos da Fabico para minhas primeiras experiências em rádio e jornal. Tesão, pessoal: está faltando e é fundamental na vida de jornalista.
