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A nova mídia consciente

A cada dia me convenço mais que os blogs estão assumindo de fato e de direito o papel que a maior parte das mídias …

A cada dia me convenço mais que os blogs estão assumindo de fato e de direito o papel que a maior parte das mídias abandonou. Ou seja: de noticiar, repercutir e mobilizar os leitores a respeito de questões cruciais. Como Justiça. Esta semana, recebi, no Clínica da Palavra, um comment de um blogueiro do interior de Portugal. Ele fazia um apelo dramático: “”Por favor! Faz alguma coisa pela “justiça” brasileira. Flávia vive em coma e a “justiça” brasileira também. Obrigado. David Santos”.

Sem entender direito, fui ao endereço que ele linkara e me conduí da história de uma hoje adolescente que há nove anos sobrevive em coma vigil em São Paulo. Quando tinha 10 anos, ela se afogou na piscina do condomínio em que morava ao ter seus cabelos sugados pelo ralo. A mãe, Odele, luta na Justiça até hoje para receber o que lhe é de Direito e, pior, até hoje, ganhou pequenas e esparsas matérias para divulgar o terrível caso.

Mais triste ainda. Odele me contou – e enfatiza isso no blog que ela criou – que a solidariedade é maior em Portugal que no Brasil. Pediu minha ajuda, como jornalista, para tornar mais público não só o acidente e a injustiça de que ela e a menina são vítimas mas também o perigo que ronda as piscinas e a irresponsabilidade de quem as administra.

Me enoja saber que tanto espaço é dado para as futilidades da vida, os “artistas” que surgem da noite para o dia embalados em corpo siliconado e sem nada na cabeça além da capacidade de decorar textos, os casinhos e as separações dos medíocres famosos e outros quetais. Temas relevantes? Se limitam ao oficialismo e aos eventuais escândalos políticos, logo esquecidos ou levados ao extremismo das paixões ideológicas que envolvem muitas redações.

Também por iniciativa de alguns blogs hoje está no ar uma blogagem coletiva sobre o tema paz no mundo, capitaneado por Lino Resende e, para dia cinco, centenas devem escrever em favor da brasileira Ana Virgínia, presa em Portugal e acusada de ter morto o próprio filho. Ela foi torturada na prisão, esteve à beira da morte sem ter recebido, nem de seu país nem das autoridades portuguesas, qualquer tipo de assistência.

É de parar para pensar o quanto de papel está sendo gasto em vão para noticiar perfumaria enquanto o universo virtual, sem poluir ou devastar florestas, cumpre um papel bem mais nobre.

Autor

Maristela Bairros

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