“Todo opressor, não passa de um grande covarde”
Há mais de duas décadas, quando a metáfora da pílula vermelha surgiu em Matrix, ela representava coragem, consciência e a ruptura com a ilusão. Anos depois, esse símbolo foi sequestrado por um grupo de homens que jamais encarnou qualquer um desses valores. E é justamente por isso que precisamos parar de chamá-los de redpills. O termo lhes confere um status que nunca tiveram: o de alguém que enxerga uma suposta verdade superior que o resto do mundo ignora.
A verdade é o oposto.
Esses homens não despertaram para nada. Eles não concluíram nada. Eles não entenderam nada. Eles não são agentes de uma revelação, são apenas os protagonistas de uma grande insegurança coletiva. Pequeninos, obtusos, emocionalmente frágeis, sustentam suas convicções em ressentimento, ignorância e incapacidade básica de convivência. Transformam a mulher em inimiga porque não conseguem lidar com a frustração de serem rejeitados, ignorados, preteridos. E, incapazes de olhar para si mesmos, preferem criar uma cruzada delirante contra todo um sexo, como se isso lhes devolvesse o orgulho que nunca construíram.
O problema nunca foi o feminino. O problema sempre foi eles.
É a incapacidade deles de entender que relações humanas não se estabelecem pela força, pela manipulação ou pela dominação, mas pela troca, pelo afeto, por aprendizados sustentados no respeito. É a incapacidade de perceber que ninguém deve amor a ninguém, amor se conquista. E é justamente aí que eles fracassam: não sabem amar, não sabem se relacionar, não sabem lidar com a própria vulnerabilidade. Preferem gritar, atacar, esbravejar, inventar teorias sobre o mundo real porque encarar a própria mediocridade dói mais.
Por isso, insistir em chamá-los de redpills só alimenta a ilusão infantil que eles mesmos criaram. É dar ares de profundidade a um movimento raso. É sugerir que existe alguma descoberta filosófica onde só existe frustração mal resolvida. É atribuir maturidade a um bando de homens que não cresceram.
Eles não são iluminados. Eles não são despertos. Eles não são revolucionários. Eles são apenas meninos assustados, perdidos na própria imaturidade, que transformam a rejeição em ideologia para não admitir o óbvio. As mulheres não querem saber deles não porque o mundo mudou, não porque a natureza feminina é assim ou assado, mas porque eles realmente não são interessantes e não fazem o menor esforço para ser.
Não precisamos de termos glamorizados para descrevê-los. Não precisamos reforçar a narrativa que eles contam para si mesmos. O que eles chamam de pílula vermelha não passa de desculpa mal construída para esconder aquilo que mais temem admitir: não falharam com as mulheres. Falharam consigo mesmos.
E continuam falhando, seus cabaços!


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