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A ponto de explodir

Faz horas que me prometo escrever sobre “Silas”, o último livro do Sérgio Fantini, mas, como quero fazer uma coisa razoável, preciso de um …

Faz horas que me prometo escrever sobre “Silas”, o último livro do Sérgio Fantini, mas, como quero fazer uma coisa razoável, preciso de um tempo que não tenho. Então, como um tira-gosto, vão aí umas linhas que escrevi para o livro de contos anterior, que tem o título desta notinha: “Acho que foi Henry Miller que disse que um escritor deve viver como um cordeiro e escrever como um tigre. É mais ou menos o que Sérgio Fantini faz: pessoalmente, é uma simpatia. Escrevendo? Um perigo. O texto dele é seco, coloquial, não dá mole para a literatura. As histórias — dramas sem drama, traçados com pudor, com ironia — parecem a maleta do espião: as armas e os segredos vêm sob o fundo falso. Trata-se de diversão para gente grande. Sérgio Fantini confirma o amor da literatura brasileira pelo conto. Neste caso, correspondido”.

Simenon

Li na introdução de uma dessas novelas do Georges Simenon publicadas pelas L&PM que ele foi eleito, pelo jornal The Times, o melhor autor de livros de mistério, atrás apenas da Patricia Highsmith. Conheço bastante bem a Highsmith. Fora um romance, que por sinal não é de mistério, achei tudo uma sopa de serragem, como diria Edmund Wilson, ou no máximo razoável. A aventura mais chutada do comissário Maigret me parece melhor, sem falarmos que deve haver uns trinta autores no ramo melhores que a Highsmith. Ninguém que manja um pouco de literatura leva a sério essas listas, mas nesse caso é insultante.

Planos

Ouvi muitas vezes que vai tudo bem se temos planos. Sei não. Me parece que a coisa vai realmente bem se algum desses planos chegam a se realizar. De qualquer forma, eu tenho, entre vários, um plano sensacional, que tento aperfeiçoar todo santo dia: morrer com um mínimo de indignidade.

O inocente

Acabei de ler o último romance do Scott Turow. Olha, Turow me parece o escritor mais astuto que já vi — e eu li um bocado de autores astutos. Comparando com as dele, as tramas da dona Agatha Christie ou do Sir Conan Doyle parecem brincadeiras de adolescentes, no mínimo.

Humor

Cervantes, muito sentencioso, diz que não pode haver graça sem inteligência. Acho que ele nunca ouviu falar de humor involuntário, quase sempre o mais cômico.

Deu na BBC

“Dar uma boa gargalhada libera substâncias químicas que agem como analgésico natural, reduzindo a dor, indica uma pesquisa da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha. Para testar a hipótese, os pesquisadores mediram as reações de voluntários à dor — por exemplo, colocando uma sacola de gelo sobre o braço para medir quanto tempo eles aguentavam. Depois, eles foram divididos em dois grupos — o primeiro assistiu a um vídeo de comédia de 15 minutos, e o outro assistiu a uma filmagem que os pesquisadores consideraram entediantes, como programas de golfinhos. Quando foram novamente submetidos à dor, os que tinham dado gargalhadas foram capazes de suportar até 10% mais dor que antes de rir. Já os que assistiram a programas entediantes foram menos capazes de suportar dor que antes de assistir ao filme.”

Notas à margem de Freud

Freud errou. Nem tudo é sexo. Na maioria das vezes é falta de sexo.

Autor

Ernani Ssó

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