Colunas

A primeira página da história

Por José Antônio Vieira da Cunha

Era um sábado comum de inverno, aquele 24 de agosto de 1974, quando 67 jornalistas se reuniram no salão nobre da Associação Riograndense de Imprensa, a ARI, no centro de Porto Alegre. Estavam ali movidos por um chamamento feito através de edital em jornal, como exigia a lei, mas antecedido por um boca-a-boca contagiante que circulou pelas redações. Os profissionais de jornalismo eram convidados a criar uma inédita e pioneira cooperativa, com um apelo forte – seria uma organização a ser administrada pelos próprios trabalhadores, sem ingerência de terceiros, exercendo suas vontades e direitos sem restrição que não as normas da convivência social.

A história bem sucedida do cooperativismo no Rio Grande do Sul, aliada ao apelo das características deste tipo de organização, soaram desde o início como um atrativo quase irrecusável. A começar pelo fato de os próprios cooperativados deterem o controle do negócio e estarem diretamente comprometidos com os resultados. Na cooperativa não há um dono, um capitalista, que seja o único a ditar as regras. Todos os associados são donos, com direitos e responsabilidades iguais.  E ali, naquele ambiente formal da vetusta sede da ARI, havia um grupo de pessoas com interesses e objetivos comuns, motivados pela ideia de ter um jornal de jornalistas e lutar pela ampliação do mercado de trabalho.

Em comum, a uni-los, havia uma saudável inquietação, uma inconformidade com os rumos que a imprensa tomava naqueles anos, em muitos aspectos acomodada a ditames de uma censura policialesca ditada pelos governantes de plantão. Eram estas as molas principais que impulsionavam um pequeno grupo que começara a discutir a formação de uma cooperativa – eram seis ou sete, logo 12 e em seguida mais de 20 – um grupo que crescia com o próprio crescimento da discussão.

Até que chegou a hora de apresentar a ideia provocadora: criar uma organização que teria entre seus objetivos o de criar um verdadeiro jornal de jornalistas. Não seria uma empresa qualquer, mas uma iniciativa respaldada no cooperativismo, cuja essência é a união de pessoas que comungam de objetivos comuns, um organismo essencialmente democrático, em que todos os associados têm direito a um voto, independente do valor de cotas que cada um detenha. Suas decisões são tomadas em assembleias gerais das quais participam todos os associados, com iguais direitos para votar e ser votado, por exemplo. E, aqui um apelo social capaz de motivar jovens sonhadores, não visa lucro, e sim o bem estar de seus associados e a determinação de melhorar a renda deles.

Então, dos 67 presentes, apenas um não acreditou na ideia e se retirou antes do final da assembleia. Na mesa dos trabalhos, o fotógrafo Ricardo Kadão Chaves, da sucursal da revista Veja, fez o registro histórico da mesa que dirigia o encontro. Ali estão Carlos Urbim, Elmar Bones, Carlos Bastos, Rosvita Saueressig, este redator, Jorge Polydoro e Luiz Cláudio Cunha. Com exceção de Bastos, então na RBS TV, e Luiz Cláudio, na Veja, todos os demais atuavam na nervosa Folha da Manhã.

Não tiveram dificuldades para convencer os colegas presentes a ingressar na sociedade e iniciar um capítulo relevante da comunicação do Rio Grande do Sul. Sonhavam, mas certamente eles mesmos seriam surpreendidos com a história espetacular que começavam a escrever.

Urbim, Elmar, Bastos, Rosvita, Vieira, Polydoro e Luiz Cláudio – Crédito: Ricardo Chaves

Autor

ond@web

Repórter especial

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