“Se você fica neutro em situações de injustiça,
você escolhe o lado do opressor”
Desmond TuTu
O que aconteceu ontem no Big Brother Brasil precisa ser contextualizado com clareza: Machismo Estrutural na veia!
Durante a convivência no jogo, um participante, Pedro, ultrapassou limites claros ao insistir em comportamentos indesejados com uma colega. A situação levou à sua retirada do programa e escancarou algo que deveria nos causar profundo desconforto. Ele estava dentro de uma casa super vigiada, com dezenas de câmeras, regras explícitas e atenção permanente do público. Ainda assim, isso não foi suficiente para inibir o assédio. Muito pelo contrário, se sentiu à vontade para segurar a menina pelo pescoço e tentou beijá-la. Esse é um dado central e extremamente simbólico.
Mais grave ainda foi o que vimos depois. Parte dos participantes, especialmente homens, demonstrou mais preocupação com o futuro do abusador, do que com a dor da vítima. Comentários sobre pena, sobre a vida que ele teria perdido, sobre um futuro que foi jogado fora. Quase nenhuma empatia direcionada à menina assediada. Quase nenhum esforço real de compreender o impacto emocional e psicológico que uma situação como essa provoca. O episódio expôs, ao vivo e para milhões de pessoas, como o machismo estrutural opera no cotidiano. A vítima é silenciada, enquanto o agressor é relativizado e acolhido.
É fundamental dizer algo que muitos ainda se recusam a enxergar. Vemos “Pedros” em todas as camadas da sociedade, inclusive entre nossos amigos mais íntimos. Os assediadores não são monstros escondidos em ruas escuras. Eles são pessoas que convivem conosco no dia a dia, no trabalho, nos círculos sociais e, muitas vezes, dentro da nossa própria casa. Fingir que isso é exceção é parte do problema.
Esse acontecimento precisa ser encarado pela sociedade como um marco, um ponto de virada no combate ao assédio. É um convite para ampliar o debate, rever comportamentos e reforçar um princípio básico que ainda insiste em ser ignorado. Depois do primeiro não, tudo é assédio. Não há espaço para interpretação, romantização ou desculpas.
Também se esperava uma posição mais firme da Globo, mais direta e pedagógica, à altura da gravidade do que foi exposto. O que está em jogo não é apenas um reality show, mas a responsabilidade social de quem fala com milhões diariamente. Ou nós, homens, ajudamos ativamente a mudar essa cultura, ou a próxima vítima pode ser uma mulher que amamos. Combater o machismo estrutural e a masculinidade tóxica não é uma pauta ideológica. É uma urgência moral, social e humana.


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