Dias atrás, conversava com um amigo publicitário que queixava-se do quanto os clientes querem coisas novas, diferentes. Porém, a coisa “diferente” tem um endereço certo: a Internet. Conversamos mais e ele me confessou que estava cansado desta história de inovação e até um pouco perdido do caminho a tomar.
Eu disse a ele então que em tempos de grandes mudanças, retornamos ao seguro. Ao já conhecido. É humano e é natural que nos negócios ocorra da mesma forma. Brinquei com ele que a agência dele deveria ser de retropublicidade, neologismo brincalhão.
O que está ocorrendo é que se fala exaustivamente em inovação, mas as empresas gaúchas – em especial – e brasileiras têm inovado muito pouco, ao menos no meu conceito de inovação. Inovação é uma ruptura, uma quebra de paradigmas, a busca do que realmente mude o jeito de fazer, o produto, a ideia. Não é o que vejo nas empresas.
Vejo um verniz de inovação. Mas no fundo seguem fazendo rigorosamente a mesma coisa: anúncios. Vamos pegar alguns exemplos. Dias atrás, estive conversando com a presidente da Fundergs, fundação do desporto ligada à Secretaria Estadual de Esportes do Rio Grande do Sul. Conversamos sobre a lei estadual de incentivo ao esporte(Proesporte). Perguntei a ela como ela via a captação(já sabedor da resposta, mas quis ouvir seu ponto de vista). Ela disse-me que a captação é o calcanhar de aquiles, o grande problema, pois o empresário – gaúcho, no caso – é receoso de investir em coisas “diferentes”(pelo tempo que existem, as leis de incentivo, tanto do esporte quanto da cultura já não poderiam ser chamadas de diferentes, mas isto reflete a mentalidade dominante). Ou seja, a lei está enfrentando dificuldades em sua viabilização completa, em fechar o ciclo. Não basta a renúncia fiscal por parte do Estado, é necessário que haja a captação e a execução dos projetos. Isto ainda está totalmente incipiente.
Afora isto, vemos empresas investindo em propaganda convencional. As propagandas, com o esforço dos criativos das agências, mudam aqui e ali. Mas seguem sendo propaganda. Vejam, não sou contra propaganda, acho uma parte importante do processo de comunicação. Sou contra a termos só propaganda. Porque a maneira que são encaradas as outras mídias ainda é refém da lógica da propaganda. Vide os valores investidos em propaganda e nas demais mídias, levantamentos feitos por grupos que se aprofundam no assunto. E quando falamos em propaganda, falamos basicamente de televisão. Ainda.
Propostas inovadoras ou nem tanto, mas que saiam da diretriz propaganda-TV têm dificuldade em prosseguirem seu caminho rumo à execução. Ainda vale a mentalidade do “em time que está ganhando não se mexe”. Falta, literalmente, ousadia. E não se pode ter a genuína inovação sem uma boa dose de ousadia. Tente imaginar o que disseram a Santos Dumont. Entendo que praticamos, com o nome de inovação e considerando o que expus acima, uma pseudoinovação.
O ser humano resiste às mudanças, pois o leva a um lugar novo, pouco conhecido. Porém, a humanidade não evoluiu sem mudanças. Algumas, bastante radicais. Quem está pronto para realmente inovar?

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