Lá vem a Velha do Cesto
Misteriosa como ninguém
Sempre olhando para os lados
Como se procurasse alguém
Nas crianças mete medo
Quem sabe tem medo também
O que ela carrega no cesto
Desperta muito pavor
Uma mãe acalma os filhos
Não tenham medo, meus amores
E quando estão perto dela
Eles vêem, são apenas flores
Mas a Velha fica ali
Passa o dia todo na praça
Precisa vender suas flores
A ninguém dará de graça
Ou quem sabe fica ali
Apenas fazendo pirraça
Quando a noite enfim chegar
A Velha irá embora
Então pensam as crianças
Por que é que a noite demora?
E para onde ela irá?
Ninguém sabe onde ela mora
Dizem até alguns
Que é lá no cemitério
Que a Velha passa a noite
Será que eles falam sério?
Tudo que Velha faz
Parece cheio de mistério
Quanto outro dia chega
Logo a Velha aparece
Ela nunca se despede
Antes que a noite comece
Não se sabe se de algum mal
A estranha Velha padece
A Velha do Cesto é feia
Feita mesmo pra assustar
É impossível não ter medo
Ao ver a Velha passar
Pior ainda é quando ela
Resolve cantarolar
De passar perto dela então
Quem estará a fim?
Ela tem cheiro de muitas flores
Especialmente de jasmim
Por isso pede a criança
“Deixa ela longe de mim!”
Velha nunca vende nada
Dela todos querem distância
Quem sabe se é porque é feia
Por isso provoca ânsia
Ela não é nada agradável
Não combina com infância
Um dia a Velha não veio
Todo mundo se alegrou
Não veio também no outro
Teve quem se preocupou
E depois de muitos dias
Dela ninguém mais se lembrou
Certa vez um menino
Que estava de castigo
Chorava solitário
Em seu pequeno abrigo
E pensou que a pobre Velha
Talvez só quisesse um amigo
O menino saiu do quarto
Pediu para olhar lá fora
A mãe suspendeu o castigo
“Mas vê se se comporta agora!”
Então ele avistou a Velha
E correu pra rua sem demora
A partir daquele dia
A Velha passou a sorrir
Paciência se alguém se assustava
Quando ela estava por vir
Se ela tinha um amigo
Não tinha mais que partir
São Paulo, Primavera de 2002

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial