O terno e sempre oportuno poeta Mario Quintana já profetizou que a vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. No poema “O tempo”, ele dizia: “Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê se passaram 50 anos. Agora é tarde demais para ser reprovado”. E não é a mais pura verdade? Estamos na segunda metade do mês de novembro. Em breve começam as compras de Natal, as dicas de como se deve passar a virada de ano. Logo, novo aniversário é comemorado. E tudo recomeça. Não há mais tempo para correr atrás do que já foi e é passado. Mãos à obra para viver o presente. Em caráter de urgência.
Não é bom perder segundos preciosos da nossa vida presente e talvez futura com as reclamações sobre o amor que não se eternizou, o amigo que não fez contato, a dieta que não foi adiante, o livro que deixamos de comprar, o beijo que não foi dado, o carinho que foi interrompido. O instante passou e o ontem não volta. Ainda me apropriando do Quintana, endosso as suas palavras: “se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio, seguiria em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas”.
Portanto, “bora” ser feliz e viver o tempo que se apresenta como um novo cenário a ser melhor desenhado. É possível usar uma cor mais suave naquele acontecimento que pode sair do jeito que não desejamos. É aconselhável pintar de rosa o encontro a ser marcado. E um vermelho para ilustrar a paixão que se avizinha. E o mais importante de tudo é fazer o que se gosta, em qualquer tempo. Para não correr o risco de, no final de 2012, ver crescer a lista de reclamação do que não foi feito pela falta de tempo.
De uma maneira heterodoxa, percebi que o ano está perto de se encerrar. Ao notar que os compromissos começam a colidir nas datas do mês de dezembro. Ao lembrar que preciso encontrar um presente de criança pequena para o meu afilhado mais novo, o Lucas, agora com nove meses. Ao constatar que a minha filha Gabriela completa 17 anos e que já vai fazer o vestibular porque ela faz aniversário no dia 6 de dezembro. Ao pensar em locais para passar alguns dias de férias em fevereiro de 2012. Ao sentir a imensa falta de minha mãe, que se ausentou em 4 de julho, combinando onde a família se encontraria nas festas natalinas e de virada de ano.
E a confirmação de que o fim de 2011 está próximo foi reforçada com as primeiras luzes coloridas nas vitrinas das lojas do centro de Porto Alegre. Com algumas propagandas de comércio sugerindo pagar os presentes com o 13º salário. Com o convite de formatura do Ensino Médio da minha filha Gabriela. Com a saudade sempre pungente do meu mano Dedé e da minha mãe Mirthô, que devem estar arrumando uma festinha de amigo secreto lá no céu. Mas a indicação de que ainda há tempo para viver, aparece na inquietude diária da filha Gabriela, nos telefonemas do afilhado Rafael, na faceirice da sobrinha Camila, que me deu os sobrinhos-netos Lohana e João Pedro, e nas descobertas do afilhado mais novo, o Lucas.

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