Está muito divertida a entrevista das páginas iniciais da Isto É com o gaúcho Sérgio Nogueira, um especialista no uso correto da língua portuguesa, função que resultou em oito livros e trabalhos de supervisão de linguagem em diferentes empresas. É divertida, principalmente, porque Sérgio leva na boa alguns fantasmas que andam assombrando os ortodoxos, como os “aki” do internetês, mas não perdoa o maldito “a nível de” que se recusa a permanecer enterrado e brota das conversas de salão com uma naturalidade espantosa, tampouco o “colocar” que metade dos brasileiros anda usando sem a menor noção de ridículo.
Sérgio tem lá suas verdades absolutas. Como a de que podemos usar, sim, a palavra acessar, desde que para “acessar programas” ou “acessar dados”. Mas já implica com o motorista que diz que vai acessar uma rua: ele deveria dizer que “vai ter acesso a uma rua”. Hum!!! Também se diz preocupado com o uso da palavra deletar no sentido de eliminar uma pessoa. Só se pode deletar programas, palavras. Enfim! Língua danada, essa, que nos dá liberdade até ali: permite que se “acesse” novidades que são enfiadas olho adentro por mails, papeagem virtual e tudo que vem pela rede. Mas impõe limitações: printar, nem pensar, pelo que Sérgio entende como correto.
A palavra deste especialista, é claro, não é definitiva, nesta terra em que, graças a Deus, ainda dá para pensar diferente. Bom senso é bom, mas nem sempre se usa na hora e na dose certas. Falar corretamente sem parecer uma dublagem é difícil, escrever sem cometer sequer uma bobagem também. Neste país de alfabetizados para inglês ver, é bom ter paciência com o erro do próximo. Em especial nós, “comunicadores”. Agora, dói na alma ouvir alguém que é candidato a cargo público e tem titulação e reconhecimento na área acadêmica abrir uma frase, durante entrevista, dizendo “mas no entanto”. E isso mais de uma vez. Aí, é com a assessoria. Quem sabe uma palestra com Sérgio Nogueira também?
