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Ah, o Grande Irmão não sossega!

Agora, sim: a StreetView, do Google Maps, está colocando aquele efeito de esfumaçamento no rosto das pessoas que clica ao acaso, a partir de …

Agora, sim: a StreetView, do Google Maps, está colocando aquele efeito de esfumaçamento no rosto das pessoas que clica ao acaso, a partir de seus estranhos carros negros, encimados por câmeras que apanham imagens em 360 graus. Os fotografados terminam expostos, mundo afora, sem ter sido consultados sobre se querem ou não esta exposição. A função, que joga na rede, para quem quiser espionar, vistas panorâmicas das ruas das grandes cidades dos Estados Unidos (em breve, nas capitais européias também) com, quase sempre, pessoas incluídas nas imagens, já começou a retocar as fotos que flagram, por exemplo, pessoas tomando banho de sol em terraços – certas de que gozam de sua total privacidade.

O retoque começou por Manhattan, mostrando imagens mais recentes e de melhor qualidade, mas cuidando para deixar os rostos sem nitidez.

O StreetView está na rede há cerca de um ano e a União Européia, cujas capitais são as próximas a entrar no sistema, se mostrou preocupada com este big brother internáutico. Segundo o Libération, Peter Hustinx, encarregado da proteção de dados, avisou o Google que ficasse atento às leis européias sobre direito de imagem e vida privada. “Fazer fotos na rua não é um problema em si. Mas fazer fotos sem limite poderá ser. Enviamos mensagem dura ao Google e a outras empresas da rede a respeito das regras européias para os motores de busca. O Google deve respeitar as leis referentes à proteção de dados e seu sucesso, por aqui, vai depender disso. São pessoas inteligentes, acho que não vão ignorar a lei”, rosnou Hustinx. Nos Estados Unidos, quem quiser pode até mesmo exigir a retirada de sua foto ou exigir o esfumaçamento, entrando em contato com o Google.

Não é a primeira vez que o StreetView dá problema. Em março passado, o Le Point já havia noticiado (e eu escrevi a respeito no meu blog Clínica da Palavra ) sobre a retirada, pelo Google, de imagens que poderiam colocar em risco bases militares estadounidenses que estavam expostas na web. E ainda esta semana, um repórter do Times divulgou um acontecimento tragicômico relativo à população de Roma diante da aparição dos “googlemóveis”: Bernhard Warner garantiu ter visto vários romanos se escondendo em bares, restaurantes e até dando a volta na rua quando viam o carro preto chegando. Na verdade, segundo o jornalista, estes cidadãos estariam apavorados por se achar espionados por câmeras instaladas pelo novo prefeito de Roma, numa possível caça a esquerdistas.

Nesta específica questão de imagem, os próprios jornais e revistas sabem o quanto pode custar caro um processo judicial movido por algum “fotografado” que não se tenha sentido digamos à vontade aparecendo numa capa ou numa matéria, seja ela positiva ou negativa. Existe, mesmo, uma pequena indústria deste tipo de processo, com dedicados advogados que procuram “ajudar” até pessoas que tenham permitido ser fotografadas para alguma notícia ou artigo.

Lembro de um episódio, quando eu trabalhava em um jornal aqui de Porto Alegre, que detonou um festival de esfumaçamento nas fotos que deixou a redação – em especial o pessoal do tratamento de fotos – enlouquecido.

Tudo começou com uma jovem senhora, que deu à luz seu bebê num hospital local e ficou bem feliz em aparecer na foto com seu rebento. Por uma cochilada do editor, esta senhora teve, posteriormente, outra foto do mesmo fato sendo usada em uma matéria subseqüente. Não demorou muito, o advogado da tal mamãe apareceu no jornal reivindicando os direitos do que ele considerou o uso indevido de imagem.

Autor

Maristela Bairros

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