Depois de ter lido a fatídica coluna do Piangers sobre o litoral gaúcho que desagradou a maioria dos rio-grandenses eu, como todos os que não apreciaram aquele conteúdo – e foram milhares – esperávamos por um pedido de desculpas, mínimo que fosse, uma linha talvez. Mas não. Nada aconteceu. Nem as desculpas, nem alguma advertência da RBS, como se o leitor fosse uma lata de lixo onde se joga tudo o que não presta. Mas eu sempre sou otimista e defensor incondicional do bom jornalismo. Mas creio que, na sua grandiloquência, o Piangers, como outros tantos colunistas, acham-se perfeitos, infalíveis, nunca erram, estão sempre certos porque entendem que é preciso “ter opinião”, “ser independente”, pois se trata apenas de “meu ponto de vista”. Na semana seguinte, lá estava a coluna do dito… e olha que apreciei algumas colunas que ele escreveu para o caderno Vida.
Eu juro que queria direcionar o foco para o jornalismo prático e não ficar criticando colegas. E havia dois bons assuntos: um positivo, a excelente reportagem da Rosane Marchetti e coprodução Globo-RBS, exibida no Globo Repórter, sobre a região dos Campos de Cima da Serra. Vou tratar desse assunto futuramente. O negativo foi uma reportagem muito ruim exibida na Record – confesso que nem lembro o nome da repórter, mas certamente ela esqueceu o que lhe ensinaram na faculdade. Meu Deus, o que foi aquilo! Se fosse um teste, estaria reprovada. O apresentador fez a chamada de uma reportagem sobre uma “saidinha de banco”, aqueles furtos onde os ladrões observam quem saca dinheiro e sai do banco sem proteção ou distraído. A reportagem foi tão ruim – e vou voltar ao assunto futuramente – porque uma das primeiras lições que se aprende a fazer na faculdade é o lead – vale para qualquer veículo: o quê, quando, como e por que. Afinal, você, jornalista, precisa situar o leitor/telespectador, ouvinte, visitante sobre o fato. Para resumir: não houve o furto, uma agressão sim, mas a repórter não disse o nome da rua, o nome do banco e ficou dando voltar para “encher morcilha”, como se diz no Interior.
Bem. Vou voltar ao assunto dos colunistas e apresentadores. Sempre critiquei o corporativismo quando as evidências não deixam margem a erros. Infelizmente, no corporativismo, que são ações e atitudes tomadas para proteger a categoria, os companheiros de profissão se protegem mesmo quando estão equivocados. Pois no “Caso Piangers”, além do pessoal do Timelime, que são ótimos profissionais, outro colega resolveu tomar as dores do, suponho, amigo. Pois não é que a ótima repórter Juliana Bublitz se meteu de “pato a ganso” para defender, ou justificar o conteúdo da coluna do Piangers. Não sei como os editores de Zero Hora permitiram esse tipo de manifestação. No dia 14 de fevereiro, Juliana escreveu um artigo simplesmente patético, a começar pelo título: OS HORRORES DO LITORAL CATARINENSE.
Nem vou me dar ao trabalho de relatar o que ela escreveu, mas, resumidamente, fez uma violenta crítica ao litoral de Santa Catarina, que tem muitos problemas, de trânsito, acesso, falta de estrutura, poluição, etcétera e etc. Meu Deus, quanta bobagem escrita só para defender a escorregada do Piangers. Patética porque, se não foi irônica, teve a intenção de dizer: “Olha pessoal, nós também criticamos o litoral catarinense”. Será que a Juliana foi tão ingênua a ponto de pensar que assim os gaúchos chateados com o Piangers se sentiriam “vingados”? Esse é o mal do corporativismo: proteger a classe, doa a quem doer, custe o que custar.
Ah! E para completar, uma das incoerências a que sempre me refiro em edição, quando a foto apresentada destoa do conteúdo da matéria. A fotinho da Juliana sorridente contrasta com o escopo do seu artigo. Se falou com tanto horror do litoral catarinense, pelo menos poderia ter colocado uma foto séria, ou melhor, braba, muito braba.
Estou fazendo esta crítica ao artigo da Juliana, que por diversas vezes elogiei em conversa com amigos como excelente repórter. E a crítica que aqui faço é construtiva, caso chegue ao seu conhecimento, pois tem o objetivo de alertar sobre essa questão de “opinião”.

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