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Alimentando sonhos

      Assisti à palestra do sociólogo colombiano Bernardo Toro hoje pela manhã, no Fórum Social da Publicidade, uma excelente iniciativa da Alap e que contou …

      Assisti à palestra do sociólogo colombiano Bernardo Toro hoje pela manhã, no Fórum Social da Publicidade, uma excelente iniciativa da Alap e que contou com o apoio de diversas entidades.

      Bernardo Toro afirma que produtividade, segundo a teoria econômica, é a capacidade que uma sociedade tem de produzir bens e serviços. Já produtividade social seria a capacidade de estimular as transações sociais entre os seres humanos. Ainda segundo Bernardo Toro, bens sociais não são acumuláveis como outros bens. A solidariedade, a ética, o amor, se esgotam ao consumirmos. Assim, é fundamental renovarmos o estoque destes bens a cada momento.

      Outro ponto importante destacado por ele, a diversidade, esta palavra tão em moda hoje em dia, gera construções de mundos diferentes. O negro constrói um mundo diferente do branco. O rico, diferente do pobre, o agricultor, diferente do cidadão urbano. Diferente não significa melhor ou pior. Significa somente diferente. E o papel da propaganda seria justamente o de integrar estas formas e comunicá-las à sociedade. Se a propaganda não fizer isto, estará fadada a falar com poucos. Mais importante ainda, será ela (a comunicação e a propaganda incluída) um fator de exclusão social.

      Segundo Nádia Rebouças, presidente da Rebouças e Associados e a palestrante que entrou logo em seguida, os comerciais de TV estão muito mais voltados ao diálogo (na medida das possibilidades técnicas, é claro). Se analisarmos, efetivamente somos convidados a “conversar” com aquele que está falando na TV. Um exemplo mostra o quão verdadeiras são as duas afirmativas acima (mundos diferentes e diálogo): o novo comercial da Kaiser. Entrou no ar um comercial estrelado por Marcos Palmeira em que ele dizia quem merecia e quem não merecia uma Kaiser, do ponto de vista masculino, é claro. Em seguida, entrou um comercial estrelado por Fernanda Torres, para dar a versão feminina. Apesar de ter achado que a primeira “coisa que merecia uma Kaiser” (comprar em um shopping, com a imagem de uma mulher cheia de sacolas) tenha sido pejorativa para as mulheres (dando a entender que as mulheres poderiam ser fúteis e que os homens não são consumidores vorazes), fica clara a preocupação da cervejaria em falar ao menos com homens e mulheres. Este mesmo exemplo mostra que há um “diálogo” efetivo nos comerciais. Repare como o Marcos Palmeira e a Fernanda Torres (mais ela, por estar sozinha em cena) estão conversando com você.

      Porém (e voltando ao Fórum Social da Publicidade), o que mais me entusiasmou, além da qualidade da palestra de Bernardo Toro, foi ver que o auditório da Assembléia Legislativa estava lotado e que havia muitos jovens presentes, visivelmente estudantes, presumidamente de publicidade. Isto mostra que todos estavam lá buscando alternativas para encontrar um mundo melhor e viável.

      Bernardo Toro alimentou-lhes com seu discurso de esperança e otimismo de que não há sentido na vida que não seja o de produzirmos bens e serviços que gerem condições de vida digna a todos os habitantes do planeta.

      O desequilíbrio econômico é o principal fator gerador de violência, não resta mais nenhuma dúvida disto. As pessoas, não só as que estavam presentes no evento, estão se conscientizando cada vez mais de que se muitos tiverem pouco e poucos tiverem muito, viveremos em um mundo cheio de grades, seguranças particulares, medo, mas isto não será suficiente para evitar a violência, como temos visto. Ele usou ainda o exemplo da América Latina, que posso transpor para qualquer continente e para o mundo. Se temos um país em um continente que prospera e vai muito bem e os demais estão mal, este país terminará deixando de estar em equilíbrio, pois será invadido por imigrantes em busca de melhores oportunidades (vide EUA e América Central). As condições do país piorarão e ele também entrará em uma trajetória descendente.

      O exemplo pode ser aplicado a nossa sociedade. As ilhas de bem-estar estão sendo invadidas por pessoas em busca de melhores condições de vida. Aqui, melhores condições de vida podem ser obter acesso à droga, aliviar-se da raiva de não ter as mesmas oportunidades ou um prato de comida. Portanto, alimentar sonhos e trabalhar para sua realização é essencial. Não é mais um papo-cabeça de um maluco beleza do Bom Fim. A realidade está aí, batendo na nossa porta e mostrando que teremos que encontrar novas formas de viver, nos reinventando como seres humanos. Neste processo, todos nós temos papel, não apenas a propaganda. Que cada um cumpra o seu.

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Autor

Flavio Paiva

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