Em função da realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, os clubes apressam-se ou em construir arenas novas ou em reformar seus estádios, dotando-lhes de capacitação para atender aos padrões da Fifa. Este movimento seria altamente saudável se fosse feito da maneira correta. Mas não está.
Notícia divulgada pela Folha de S. Paulo (15/03) denuncia (acho que é este o termo correto) que o contrato assinado entre o Palmeiras e a WTorre é claramente prejudicial ao clube. Isto porque o acordo prevê que a empresa seja praticamente dona da arena. O Palmeiras é obrigado a jogar como mandante todos os seus jogos no novo espaço (até aí, é compreensível). Mas, caso a data do jogo mude (embora o futebol brasileiro tenha evoluído neste quesito nos últimos anos, alterações de data ainda são comuns) e a WTorre tiver outros planos para o local, o Palmeiras terá que procurar outro estádio para sua partida.
Além disto, o clube terá que comunicar à WTorre se quiser utilizar a arena com uma antecedência mínima de 120 dias. Quem – como eu – conhece um pouco do funcionamento das estruturas do futebol, sabe que é um prazo gigantesco. A íntegra da matéria pode ser lida clicando em http://migre.me/43abs.
Mudando para o Rio Grande do Sul, o Internacional está discutindo o modelo a ser adotado na reforma de seu estádio. O Conselho Deliberativo do clube colocou em votação uma proposta alternativa: a reforma será tocada com uma parceria, mas esta parceria será definida a partir de uma concorrência. Inicialmente, falava-se na Andrade Gutierrez, mas isto pode se alterar. Entendo que a opção por uma parceria é claramente vantajosa, para que o clube não gere um endividamento significativo e comprometa seus investimentos no core business, o futebol. Vai ser sempre o futebol quem vai comandar o clube, bem como vai gerar (ou deixar de gerar) suas receitas. Nos próximos dias teremos a definição, mas ao que tudo indica haverá a opção por uma construtora parceira.
Citei estes dois exemplos para chegar no ponto: ainda há um grande desconhecimento sobre quais os efeitos e impactos que a Copa 2014 vai gerar nos clubes e no Brasil. Em especial, os clubes ainda estão buscando o caminho a ser seguido, muitas vezes tateando no escuro. As decisões eventualmente são tomadas por pessoas que não detêm o conhecimento suficiente e necessário para tanto. Ou seja, estão sendo tomadas de forma amadora. E aí é que está o grande problema: estas decisões (estamos falando de parcerias longas, de 20, 30 anos) terão impacto nos clubes – e, portanto, no futebol mundial – pelas próximas décadas. Caso sejam equivocadas, poderão representar a ruína de alguns dos grandes clubes brasileiros, tornando-os inviáveis no cenário futebolístico nacional e internacional. Portanto, é momento de cautela e caldo de galinha.
Os patrocinadores do Manchester
Ainda tomando como exemplo os clubes europeus (ao contrário do que vem se falando, levaremos décadas para alcançá-los em organização, estrutura e resultados financeiros), trago hoje o exemplo do Manchester United. Uma das mostras de prestígio deste clube é o pool de patrocinadores que estão associados. De todos, me chama a atenção a Vinícola Cocha y Toro, apesar de não ser o maior valor. Para que ela produza o vinho do Manchester, paga ao clube 1.750.000 euros anuais. Isto é resultado de duas coisas:
1) da grandeza do Manchester United, sem dúvida; e
2) de uma política comercial de licenciamento de marca acertada. Não pulveriza excessivamente sua marca em inúmeros produtos dentro de um mesmo segmento (exceção feita sempre à área têxtil) e não celebra contratos menores do que o objetivo traçado. Caso não haja interessados à altura do pretendido pelo clube, ficam sem o produto. Desta forma, valoriza sua marca e comunica este valor ao mercado. Prova está de que funciona que esta empresa (Vinícola Concha y Toro) paga o valor, nada desprezível (é bem mais do que a Tramontina paga para cada um dos clubes – Grêmio e Internacional – anualmente para estampar sua marca nas mangas dos uniformes de jogo e treino de cada um deles, por exemplo). No quesito licenciamento, os clubes brasileiros ainda acham que ter milhares de produtos é sinônimo de grandeza, quando é o contrário.
Artigo sobre o tema pode ser encontrado em http://migre.me/43ae6.
Abaixo, a tabela com os valores de patrocínios do Manchester United.
Os 15 patrocinadores do Manchester United 2010

Fonte: Futebol Finance

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