Confesso que fiquei assustado com a repercussão das eleições nas mídias sociais como Facebook, Twitter e Instagram, principalmente. Não pelo volume de informações, porque ainda não é a forma mais representativa de comunicação para atingir a grande massa… Ainda. Refiro-me ao conteúdo dos posts e um inexplicável (para mim) cenário de ódio entre pessoas amigas, mas com posições políticas diferentes. Foi um tal de apedrejamento coletivo, ofensas de um lado, críticas do outro. Ninguém podia elogiar um candidato que logo era execrado por centenas e vice-versa. Extrapolou os limites do bom senso e abriu caminho para uma reflexão: será que estamos preparados para conviver com tanta liberdade de expressão?
Tenho centenas de ótimos amigos e entre estes, pessoas com preferências políticas antagônicas, diferentes entre si e também das minhas, obviamente. E não quero perdê-los por divergir. Para evitar brigas, separações, inimizades, estresse e outras consequências, optei por me afastar do FB. Não se trata de ficar “encima do muro”, mas de usar o bom senso. Acompanhei paralelamente as manifestações de pessoas amigas contra outras pessoas amigas, companheiros de festas, de churrascos e baladas, que se digladiaram como se estivessem em uma batalha de vida ou morte. Que que é isso!!!!
Por criação, aprendizado e experiências acumuladas, sempre entendi que a democracia nos permite ter uma opinião própria e que podemos e, muitas vezes, devemos externá-la. Mas precisamos saber como fazer isso de uma forma civilizada, correta, com o devido respeito, jamais recorrendo a expressões chulas, ofensas, palavras agressivas, de baixo calão, tanto dirigidas a amigos ou, no caso, a eventuais candidatos. O bom senso que sempre deve ser cultivado foi jogado no lixo e aflorou um sentimento de ódio, raiva, vingança, sei lá, em relação a um eventual “oponente”, ou a quem pensava diferente. Sempre entendi que discordar e discutir faz parte do processo democrático, mas sem ofensas ou falta de respeito.
Li reportagens,vi programas e ouvi manifestações sobre esse comportamento inesperado que as eleições provocaram. Antes, apenas o futebol, que é realmente movido por paixões, provocava verdadeiras batalhas nas redes sociais, sem levar em consideração que nessa área também é possível discordar sem ofender.
Não sei se as sequelas dessa disputa vão perdurar por muito tempo, mas a imprensa tem um papel importante em conduzir a questão de uma forma equilibrada, tentando sugerir caminhos para a reconciliação de eventuais desafetos que surgirem nesse período. Eu, felizmente, não tive esse aborrecimento e conservo todos os meus amigos, independente de suas posições políticas. Por saber que ninguém é perfeito, sempre procurei entender porque alguém agiu desta ou daquela forma antes de fazer algum tipo de julgamento… se é que isso é correto. No caso das eleições, tanto candidatos quem defendiam uma continuidade de mandato, como quem postulava ocupar o posto, tinham (e tem) no seu retrospecto bons projetos, ações positivas, mas também erros, falhas, obviamente.
Quanto ao comportamento da imprensa, exceto pela antecipação da edição da Veja, creio que os demais veículos adotaram uma postura que pode ser considerada neutra, ou isenta, como queiram, abrindo espaços semelhantes para todas as partes e tentando oferecer a melhor qualidade da informação.
Questiono apenas duas coisas: a exclusão dos representantes dos partidos nanicos ou sem representação na Câmara Federal dos debates no primeiro turno, e a forma como ainda são conduzidos os debates. O último da Globo, por exemplo, foi sofrível: o William Bonner nervoso, atrapalhado, e o formato, um caos: a emissora não promoveu um debate, mas quis fazer do debate um show, com plateia etc. Só faltou promover uma apresentação conjunta de duplas de artistas (um simpatizante de cada candidato) nos intervalos. Para meu gosto, o melhor sistema foi o do SBT, com jornalistas fazendo perguntas mais adequadas e não apenas provocativas. Mas fica a lição para uma próxima eleição. Com menos ódio nos corações e mais preparo e melhores propostas de cada parte.

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