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Assassinos!

“LUTO”

Eu não gosto de começar a semana falando sobre tragédia, mas dessa vez, eu sou obrigado. E a tragédia que eu trago neste texto não é apenas a morte brutal de um animal. É a tragédia humana. É o retrato escancarado do fracasso da nossa sociedade.

Quando adolescentes se juntam para espancar, torturar e matar um animal, isso não é um desvio pontual. Isso é um sintoma grave. É a prova de que algo muito errado foi naturalizado antes mesmo desse ato. E quando, depois dessa barbárie, familiares desses jovens tentam coagir, intimidar e impedir que eles sejam identificados, investigados e punidos, o que se vê é ainda mais assustador. Não é apenas violência. É cumplicidade. É a tentativa consciente de garantir a impunidade.

O caso do cachorro Orelha não pode ser tratado como mais um episódio lamentável que some na próxima semana. Torturar e espancar um animal até a morte é um crime hediondo. Não há relativização possível. Não há desculpa. Não há argumento que suavize o que foi feito. Isso é crueldade extrema. Isso é violência deliberada. Isso é ASSASSINATO.

E é exatamente aqui que entra a chamada teoria do elo. Ela não é achismo, não é militância emocional, não é exagero retórico. É uma teoria já comprovada, estudada há décadas, que demonstra a relação direta entre a violência contra animais e a violência contra seres humanos. Quem machuca animais aprende a não sentir empatia. Aprende a normalizar a dor do outro. Aprende que dominar, torturar e destruir é aceitável. Esses adolescentes não estão apenas ferindo um cachorro. Estão treinando para ferir pessoas.

A sociedade precisa parar de fingir surpresa. Jovens que torturam animais têm grande chance de, no futuro, estuprar, agredir e matar seres humanos. De se organizarem para destruir vidas. De repetir a violência, agora direcionada a quem estiver mais vulnerável. Ignorar isso é escolher produzir mais assassinos. Sim, assassinos. É essa palavra que precisa ser dita.

E as famílias não podem, em hipótese alguma, ficar fora dessa equação. Esses jovens não surgem do nada. Eles são fruto do que vivem dentro de casa, do que escutam, do que aprendem, da ausência de limites, da falta de pulso firme e, muitas vezes, da banalização da violência no ambiente familiar. Quando pais e responsáveis tentam acobertar crimes, pressionar testemunhas e impedir investigações, eles deixam de ser espectadores e passam a ser parte do problema.

Não é possível que a sociedade aguente mais uma vez esse tipo de crime sendo tratado com condescendência. Não é possível aceitar notas mornas, investigações lentas, punições simbólicas. O que foi feito com Orelha é um absurdo moral. O que veio depois, a tentativa de intimidação e silenciamento, é ainda pior.

Esperamos, e exigimos, que a Justiça de Santa Catarina apure os fatos até o fim, identifique todos os envolvidos e responsabilize cada um deles. Não aceitaremos menos do que a prisão desses assassinos. Não aceitaremos que a idade sirva como escudo para a barbárie. Não aceitaremos que famílias passem ao largo de crimes dessa gravidade como se não tivessem nenhuma responsabilidade. Elas precisam responder conjuntamente.

Proteger animais é proteger pessoas. Combater a crueldade animal é impedir crimes futuros. Fingir que isso não é grave é escolher conviver com mais violência, mais mortes e mais dor. E isso, definitivamente, a sociedade já não pode mais suportar.

Autor

Fernando Puhlmann

Sócio-cofundador da Cuentos y Circo, Puhlmann é um dos principais especialistas em YouTube do país, com um olhar focado em possibilidades de faturamento na plataforma e uma larga experiência em relacionamento com grandes marcas do mercado de entretenimento. Além de diretor de Novos Negócios da CyC, tem também no seu currículo vários canais no país, entre eles o do escritor Augusto Cury, do Gov Eduardo Leite, Natália Beauty e do Grêmio FBPA, sempre atuando como responsável pela estratégia de crescimento orgânico dos canais. Já realizou palestras sobre a nova Comunicação juntamente com diretores do YouTube Brasil como a abertura do 28º SET Universitário da Famecos-PUCRS, o YouPIX/SP e o Workshop YouTube Gaming Porto Alegre. Desde 2013, Puhlmann ministra cursos, seminários e oficinas sobre YouTube, tendo mentorado mais de 30 canais nos últimos anos.
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