1) Do Figaro: Dan Rather e a revanche. Demitido em 2005 da CBS, ele acionou um tribunal de Nova Iorque contra a cadeia de televisão a quem acusa de ter destruído sua reputação para assegurar favores políticos da Casa Branca. Rather pede nada menos que 20 milhões de dólares e mais 50 milhões suplementares por abuso de poder. Com 75 anos, o apresentador afirma que não mais fez que apresentar, sem verificar, informações que seus colaboradores lhe passaram em setembro de 2004. Ele se refere ao telejornal em que – durante a campanha eleitorial – afirmou que quatro documentos provariam que Bush havia sido favorecido quando servia a Guarda Nacional, entre 72 e 73: suas faltas teriam sido ignoradas pelos superiores. Isso na época em que milhares de jovens soldados eram enviados para a Guerra do Vietname. Logo, apareceram contestações aos documentos, o produtor de Rather levou o tradicional pé no traseiro, e o apresentador teve de assumir os erros de seus colaboradores e se desculpar publicamente. Não demorou muito, Rather dançou também. Agora, o jornalista afirma que não teve tempo suficiente para se explicar e mantém a afirmação de que os documentos são, sim, autênticos. A CBS, claro, diz que não.
2) Do Francis Pisani, em seu blog no Le Monde, sobre matéria do Times de Londres que afirma que suicídio virtual pode ser perigoso. O artigo sobre pessoas que se matam em certos sites (como o Facebook) cita o caso de uma garota, Stephani Painter, que, para não perder o namorado que estava com ciúmes das amizades que ela havia reencontrado na rede, destruiu seu perfil. A matéria fala ainda de um programado suicídio coletivo reunindo cento e poucos jovens. O jornal insiste num possível processo de desestabilização dos usuários, citando psicólogos que batem na tecla do risco que representam estas relações virtuais, que consideram falsas e que “mexem com fantasmas do passado”. Tais relacionamentos indicariam até problemas graves na vida real. Pisani acha que retirar-se de comunidades virtuais não tem nada de assustador nem representa suicídio, um termo que o surpreende.
3) Ainda do Figaro: a universidade americana de Georgetown está oferecendo um curso intitulado “A Lei Segundo 24 Horas”, com base no seriado televisivo centrado no agente Jack Bauer, e onde não faltam aulas de tortura para defender o país contra o terrorismo. Quem dá o curso? O general Walter Sharp, do Pentágono. Ele se propõe a analisar todas as questões jurídicas nacionais e internacionais referentes às lutas antiterror no contexto do que a série exibe. São duas horas por semana e o quesito principal para os candidatos é ter feito um curso de introdução ao direito internacional e, claro, ter visto as seis temporadas do 24 Horas. De acordo com a revista Slate, as aulas são dadas às terças para que os alunos ainda tenham bem fresquinho na cabeça o episódio exibido na noite anterior pela Fox. A polêmica vai longe: já existe uma Ong, Human Rigths Fires, mais um punhado de associações de pais que vivem dununciando as cenas de tortura da série. Também há quem diga que a produção tem uma influência “nefasta” sobre os soldados no Iraque, que teriam Bauer como modelo para interrogatórios. Defesa de Joel Surnow, criador do programa: “Mas, não é normal agir assim? Se uma bomba estiver para explodir sobre Nova Iorque ou outra cidade, mesmo que você corra o risco de ir preso, torturar seria a melhor coisa a ser feita”.
