Seguido recebo e-mail de um tal de Marcos se oferecendo para aumentar meu pênis de modo cem por cento natural. Eu só conheço um modo de aumentar o pênis de modo cem por cento natural. Mas — sinto muito, Marco — prefiro deixar isso ao encargo do departamento feminino.
Bolañomania
Depois de conferir o que sopram as vuvuzelas da crítica, depois de ler alguma coisa do Roberto Bolaño, fico matutando: por que ele faz tanto sucesso? Ou mais. Há uma torcida pelo Bolaño. Veja, um James Clavell faz sucesso — “Xogum” vendeu cinco milhões de exemplares —, mas não conheço nenhuma pessoa disposta a sair no braço por causa do Clavell. Por causa do Bolaño quase não há articulista de caderno B que não chame você lá pra fora, caso você seja homem e continue a insistir em torcer o nariz para o chileno. Sim, sim, Clavell é entretenimento, Bolaño um autor sério. Não interessa se Clavell é melhor narrador em muitos momentos, vide a primeira parte de “2666”, um passo em falso constrangedor do Bolaño. Calma, voltaremos a isso qualquer hora, mas com argumentos, não com adjetivos como acontece com as vuvuzelas resenhistas.
Continuo encucado. Nem todo autor sério tem torcida. Acho que notei, entre uma linha e outra, na euforia por Bolaño, um grande alívio: os intelectuais enfim podem se divertir sem remorsos com uma narração, coisa que consideram ultrapassada desde o começo do século vinte, no mínimo. O autor onisciente do século dezenove, tão vilipendiado por todos, volta enaltecido em prosa e verso com Bolaños, sob uma expressão muito bonitinha, que fez mais de um leitor gozar antes mesmo de tirar as calças, ou melhor, abrir os livros: fluxo de onisciência.
O velho Borges dizia que devemos preservar o prazer narrativo, um dos prazeres mais antigos do homem, que devíamos ter a coragem de atacar Joyce e Picasso, porque o que eles atacam é o narrativo. Mas ninguém ouviu isso. Ou, se ouviu, fez de conta que é mais uma das piadas do Borges. Piada? A idiossincrasia borgeana — você diz isso e se sente livre de argumentar. É preciso, de tempos em tempos, um “Cem anos de solidão” ou um “Detetives selvagens” pra dobrar a língua dos intelectuais. Intelectuais? Os pseudos, como dizia Francis. García e Bolaño empacotaram o peixe com papel celofane, fizeram uma bela cara de seriedade e foram para a feira. Eles sabem: o freguês sempre tem razão.
Dicionário do mau digitador
Acredistar. Achar que ficava a tal distância.
Celuluar. Só pra telefonemas românticos.
Informe sobre gordos
Quando eu tinha uns vinte e poucos anos, comecei a escrever um romance que se chamava “Informe sobre gordos”, gozação com o título do Ernesto Sábato, “Informe sobre cegos”. De todo o meu esforço, mais imaginativo do que qualquer coisa, já que escrevi poucas páginas, sobrou apenas isto: “Olhe, a mais remota ânsia da humanidade não é chegar a Deus, ou cantar em programa de calouros. A mais remota ânsia da humanidade é ser funcionário público com estabilidade perpétua no emprego. A ameba virou peixe, o peixe virou macaco, o macaco desceu das árvores e, nas patas traseiras, fez e aconteceu através dos séculos apenas pra poder sentar no seu canto, sem medo de não ter como pagar a conta no supermercado. A ciência, a arte, a política, a religião, a filosofia e os cursinhos pra noivos foram inventados não pro homem olhar o universo e dizer, batendo no peito: conheceu, papudo?! Nada disso. O sonho secreto da humanidade é poder repetir a sobremesa”.
Preferência
Sexo casual? Prefiro frequente.

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