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Aumento da informalidade, valorização do essencial

Por Flavio Paiva

Já vem acontecendo ao longo dos anos o aumento da informalidade (de hábitos, de vestir) no ambiente corporativo. Começou com o casual day, há tempos atrás. Era “autorizado” estar vestido de maneira mais descontraída, claro que descontraída para o padrão da época. Mas esse fenômeno amplificou e virou tendência, exceto em ambientes que são muito resistentes à informalidade, como o jurídico, por exemplo.

Mais recentemente, com a chegada das startups, do Vale do Silício e de uma maneira mais despojada e desconstruída de fazer negócios e por consequência, de vestir. Aí a coisa pegou mais forte, porque houve várias startups que fizeram (e fazem) muito sucesso tanto do ponto de vista financeiro quanto (normalmente é consequência do sucesso financeiro, mas não exclusivamente) de imagem. E, claro, o advento e disseminação da Internet e redes fez a coisa se tornar exponencial. 

Porque não se tratava só de uma maneira diferente de se vestir, mas de enxergar e pensar negócios, uma atitude diferente, trazendo inclusive um propósito diferente para as pessoas. E para pessoas que estavam tendo (ou estavam em vias de ter) sucesso. Então, a coisa realmente aumentou de proporção e importância.

E então veio 2020 com a pandemia. Home office. E então, reuniões virtuais. Muitas e muitas. As pessoas iniciaram as reuniões ainda vestidas de uma maneira mais formal, como se estivessem no escritório, etc. Mas os meses foram passando, passando, e não se via uma data certa de retorno para as empresas. Então, até por estarem no seu ambiente de casa, as pessoas começaram a relaxar. Ficarem menos preocupadas com a maneira de vestir. Houve quem exagerou no relaxamento? Óbvio. Mas a maioria das pessoas relaxou um pouco.

A “pá de cal” dessa história se deu quando todos se deram conta e começaram a comentar com todos que as pessoas estavam se arrumando da cintura pra cima, e era comum estarem com uma camisa(os homens, por exemplo) e na parte de baixo, de bermuda, de chinelo. Além disso, havia a questão do fundo. Muitas pessoas não tinham um cenário ideal para reuniões virtuais, quer porque o fundo tinha muitos objetos, excesso de informação visual, quer porque não queriam simplesmente mostrar, se utilizou (e utiliza) recursos como fundo virtual(o mais conhecido ficou o recurso do Zoom, mas Google Meet também já dispõe). Só que pela tecnologia e banda de internet, foi comum acontecer vazamento de imagem, mostrando o que não era desejado.

Mas para mim, o principal fenômeno de todo esse processo, não foi exatamente de imagem, estético: foi de valorizar o essencial. Se viu que não importava tanto se a pessoa estava com uma roupa mais formal, mas se tinha conhecimento, experiência e postura, podia estar usando uma camiseta, por exemplo. E aí cresceu mais a essência, o principal das pessoas. E esse considero um fenômeno positivo, porque o principal efetivamente é isso. Claro, um mínimo na forma de se vestir é interessante manter, mas o foco saiu tanto da questão mais formal. Vamos ver agora 2021.

Autor

Flavio Paiva

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