As balas que foram disparadas contra o Hotel Glória, no Rio de Janeiro, por traficantes, não feriram ninguém. Ou quase. Estão atirando contra a marca Rio, a cidade mais popular do Brasil no exterior e destino da maior parte dos turistas. Cada vez que um traficante dispara um tiro, fazendo ou não uma vítima fatal, o “paciente Rio” geme mais alto, piorando sua situação na CTI do turismo. Se um cidadão carioca(ou pior ainda, um turista estrangeiro) é vítima fatal de um destes atentados, cada vez que um ônibus é incendiado e cada vez que uma avenida é bloqueada, piora mais o estado de saúde do paciente Rio.
Antes do início da guerra EUA x Iraque uma pesquisa realizada pelo World Travel & Tourism Council (WTTC) informava que o desencadear de uma guerra poderia destruir mais de três milhões de empregos na indústria do turismo em todo o mundo e eliminaria, ao mesmo tempo, mais de US$ 30 bilhões gerados pelo Turismo. Segundo palavras do presidente da WTTC, Jean-Claude Baumgarten, “se o pior cenário de guerra acontecer, esperamos por ações imediatas e decisivas dos diversos governos para proteger e segurar essa importante indústria mundial. Entre essas ações podem estar incluídas redução de impostos, investimentos em segurança, promoção turística e em infra-estrutura”.
Não há dados sobre o quanto a violência no Rio de Janeiro vem afastando turistas nacionais e estrangeiros da Cidade Maravilhosa. Porém, o turismo é uma atividade muito sensível às notícias de insegurança, violência e perigo. As pessoas, quando fazem turismo, estão querendo momentos prazerosos, o extremo oposto de um assalto. Os turistas querem conhecer lugares interessantes, diferentes, ter experiências agradáveis e memoráveis. Justamente por isto o turista deve ser tão bem tratado, paparicado, eu diria. Uma viagem de turismo é sempre uma tentativa de realização de uma situação idealizada: conhecer um paraíso, esquecer os problemas, a violência, enfim, as mazelas da vida. Isto pode ocorrer tanto em um hotel 5 estrelas quanto em um trekking no Amazonas. Mas com certeza não espaço para risco de vida.
Assim sendo, entendo que as autoridades brasileiras(federais, estaduais e municipais) deveriam preocupar-se com a violência também sob este aspecto, ou seja, da drástica redução do fluxo de turistas(internos ou estrangeiros) que ocorre em função da violência urbana. Os turistas não vindo, não há fluxo de dinheiro. Ocorrem demissões. E uma indústria importantíssima(pelo volume de dinheiro que normalmente um turista gasta em viagem, por ser uma grande empregadora e por ser uma chamada indústria limpa) deixa de gerar todo o resultado que lhe é possível. Como o dinheiro é um bem cada vez mais escasso hoje em dia, em especial para os governos, entendo que é sensato que se encare o problema de frente.
Livros:
Bookman
Muito a propósito do que escrevi hoje, um dos lançamentos da Bookman é Resorts – – Administração e Operação, de Robert Christie Mill. O livro tem 328 páginas e procura explicar passo a passo como administrar um empreendimento destes, incluindo a colocação de esportes nos resorts, utilização e e aproveitamento de recursos naturais, administração de pessoal temporário, realização de eventos empresariais, etc. Leitura indispensável, mesmo para aqueles que não pensam em empreender nesta área tão cedo. www.bookman.com.br
Campus
Check-list dos líderes, de Chris Clarke-Epstein(224 páginas) é, na realidade, um manual de quais perguntas são indispensáveis que um líder faça e como fazê-las. Porque, no entendimento da autora, um dos mais importantes papéis do líder é exatamente questionar, pois através das respostas é possível ver motivações, problemas, potencialidades e, finalmente, aumentar a eficiência de uma organização. A autora ressalta, no entanto, que de um modo geral, os diretores, presidentes e chefes têm receio de ao fazerem perguntas, estarem demonstrando de alguma forma fraqueza. Ela também aborda este aspecto, de como perguntar.

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