Estou desconfiada de que certos estados gripais induzem a um processo de abertura de consciência ou algo parecido que nos torna, além de patetas e zumbíticas criaturas, seres capazes de selecionar informações e sensações melhor que mestre iogue. Digo isso porque desde domingo passado estou naquela delícia de vida que é tentar dormir 15 minutos sem um acesso de tosse que parece incluir uma adaga que corta caprichosamente a garganta, além de enjôo constante e olheiras que deixam no chinelo as do José Serra.
Por isso e todo o mau humor que acompanha o processo, li com nojo apenas razoável a noticia de que o governo tucano paulista mandou distribuir livros para as escolas com textos teoricamente inadequados para as criancinhas de 9 anos.Digo teoricamente porque poeminhas provocativos (coisa mais antiga, meu Deus!!!) com frases inteligentíssimas como “não ame, estupre”, feitas para gente beeeeem mais velha (de 13 anos pra cima hahaha, estes já poderiam entender, diz o autor), são reza de beata perto do que a gente ouve nas salas de aula atualmente.
Bonito mesmo foi ler gente como o edificante Louis Favre, o gardelon que se jura francês, metendo o pau no governo do Serra. Com toda a moral dele e do PT que há anos planta livros paradidáticos em que ensina história pela velha cartilha stalinista.
Também me deu vontade pedir ao pessoal de bordo o tradicional saquinho para vômito quando li que a Suzane, aquela, que planejou e ajudou a matar pai e mãe a paulada em Sumpaulo, denunciou o promotor de tentar seduzi-la. Tanto por ser ela a canalha que é e capaz de inventar um causo desse, como a possibilidade de ser verdade a sacanagem do acusado.
Na verdade, a única coisa do noticiário que me levou à mais dolorosa tristeza com o ser humano foi a história de que tem caçador perseguindo beija-flor na Amazônia para matar o bicho e comer seu coração. Isso sim é de fazer uma pobre infeliz gripada e estressada entrar em surto e mergulhar em transe agudo de desilusão com tudo neste mundo.
Pior é que nem dá para sugerir que a pena, para criminosos do tipo, seja caçá-los e comer seu coração – nem antropófago de carteirinha, nem Aníbal Lecter se animaria a sair envenenado numa aventura gastronômica do tipo. Aliás, o que tem de gente com coração podre por aí! Não caçam, necessariamente, beija-flor. Mas sobrevivem, caçando a alegria alheia, ansiosamente grudados em alguém ou alguma coisa tirando do hospedeiro toda a energia possível. Um dia, porém, terão o que merecem.
Pensando bem, gripe é bom para abrir a mente e soltar o verbo.
