De acordo com o Tesouro Americano, a China é o maior detentor de títulos da dívida, no valor de US$ 1,5 trilhão. Segundo informações do Tesouro, o Brasil foi o que registrou o segundo maior aumento, equiparando-se à Inglaterra e aos países petrolíferos. Seja qual for a decisão entre o Congresso Americano e o presidente Barak Obama, um fato permanece. Ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa comenta o delicado momento das economias americana e europeias e não poupa críticas ao Banco Central do Brasil e o caracteriza de “estúpido” por ter se tornado grande comprador de títulos americanos. “Não dá para retroceder, a única coisa é acender velas para Santo Antonio”, comentou o especialista.
Barak Obama manteve intensas negociações com o Congresso para evitar a desconfiança dos investidores diante de um eventual calote. Carlos Lessa ministra aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, em tom professoral, explica porque o Brasil fez um dos piores negócios do planeta ao tornar-se um dos grandes credores americanos:
– O Brasil contrai este empréstimo que só rende 2% ao ano e, ao mesmo tempo, paga 12,50% de juros sobre os dólares que entram aqui. Estamos fazendo isto em escala colossal e aumentamos nossa dívida por causa disto. É uma estupidez monumental.
E continua em sua crítica severa:
– É só por isto que nós atraímos uma quantidade enorme de capitais especulativos de curto prazo. Estes dólares que entram no Brasil vão para as reservas do Banco Central. O BC emite títulos da dívida pública brasileira e aplica em títulos do Tesouro Americano que, na melhor das hipóteses, pagam estes irrisórios 2% ao ano.
Com a continuidade desta política que Lessa considera suicida, é certo, no entanto, que continuarão vindo mais e mais dólares para o Brasil. O ideal é que o país só absorvesse os dólares necessários para o balanço de pagamentos mas, infelizmente, não é ao acontece.

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