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É a chamada briga de cachorro grande. De um lado, a presidente Dilma Rousseff. De outro, a FIFA. Em jogo, um valor estimado em …

É a chamada briga de cachorro grande. De um lado, a presidente Dilma Rousseff. De outro, a FIFA. Em jogo, um valor estimado em R$ 1,8 bilhão. Este é o tamanho do prejuízo que a entidade máxima do futebol alega que terá se o governo brasileiro levar adiante a idéia de meia entrada nos estádios que tiverem jogos da Copa 2014, a proibição da venda de cerveja nos estádios, entre outros. Estamos no exato momento da queda de braço. O que determinará se haverá ou não este prejuízo alegado pela FIFA é a Lei Geral da Copa, que está prestes a ser votada no congresso brasileiro.

Ambas as partes estão fazendo seu jogo: de um lado, o governo brasileiro tentando proteger os interesses dos cidadãos brasileiros, fazendo valer leis que já existem no país (como a meia entrada e a proibição de venda de cerveja em estádios de vários estados brasileiros (na realidade, a lei que regula a venda de bebida alcoólica é de cada um dos estados)). De outro, a entidade tentando fazer valer a sua lógica comercial e proteger os interesses de seus parceiros.

Nos voltemos agora para a construção de estádios para a Copa 2014. Em recente visita a Porto Alegre, o ministro Orlando Silva, dos Esportes, falou da grande preocupação com o andamento das obras no estádio do Internacional, o Beira Rio. O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, saiu em defesa do município e das obras (não apenas a construção do estádio, como as obras relativas à Copa, tais como duplicação de vias, melhoramentos em avenidas, no aeroporto, etc). No entendimento do prefeito, as obras estão no andamento correto e a cidade e o estádio estarão aptos a receber a Copa do Mundo 2014 e a Copa das Confederações 2013.

E o que tem um assunto a ver com o outro? Tem a ver com a imagem do país e da própria Copa do Mundo. No primeiro caso, no embate FIFA x governo brasileiro, ambos têm razão. Tem razão o governo ao querer fazer valer suas leis em um evento que será realizado no seu território. Também tem razão a FIFA ao querer maximizar o retorno oferecido aos seus parceiros investidores. Considere-se ainda que o governo brasileiro, ao candidatar-se para a Copa 2014 (e ganhar a concorrência), ficou ciente das exigências da FIFA. De novo, o que vai resolver o imbróglio será o bom senso. Não sou radicalmente contra a venda de bebidas alcoólicas em estádios de futebol. Mas se há uma lei que determina esta proibição, ela deve ser respeitada. Como é minha área de atuação (o marketing esportivo), entendo que há como o governo encontrar moedas atraentes para negociar com a FIFA uma terceira via, a via da resolução.

No caso da construção das arenas e reformas dos estádios, há um verdadeiro festival de declarações na imprensa, um dirigente querendo mostrar ao outro que o seu estádio está mais avançado do que o do rival. Sinceramente, acho esta “briga” de declarações prejudicial à imagem do futebol brasileiro. Vamos tratar o assunto com seriedade e profissionalismo, de forma técnica, e vamos deixar de trocar de farpas? Está mais do que na hora de termos uma condução serena dos assuntos extra-campo. Deixemos as provocações, as brincadeiras e a flauta para o jogo que é disputado dentro das quatro linhas.

Autor

Flavio Paiva

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