Às vezes, dá vontade de não ouvir nem enxergar. Não como uma deficiência definitiva, claro. Mas tenho certeza de que o amigo leitor há de concordar.
Quer algo mais desagradável do que um carro de som(e eles andam por aí, ainda hoje!) ou um carro “tunado”(aqueles carros que têm um som altíssimo e muito potente e que, quando passam pela gente, fazem tremer os nossos carros, os nossos cérebros e a nossa revolta)?
O problema do som é que não temos como evita-lo. Ele está ali, invadindo nosso ouvidos com o mau gosto peculiar a carros de som ou a carros tunados. Além disto, considero uma violência: por que o dono de um estabelecimento que utiliza carro de som ou o proprietário de um carro tunado acham que podem me dizer o que ouvir e em que momento do dia(ou da noite)? Quando dei este direito a estas pessoas?
Outra chaga da vida moderna na cidade de Porto Alegre é a poluição visual. Além dos incontáveis banners(em fachadas de lojas ou em postes), outdoors, frontlights, há a falta de padronização no trato de fachadas e de fiações nos postes da cidade. São emaranhados de fios, com objetos pendurados, jogados sem qualquer critério. Cruzam o céu da cidade sem ordem, sem critério e sem preocupação. São verdadeiras teias de aranha, enfeiando de vez a vista da cidade.
Agora, faça a soma caro leitor: barulho nos ouvidos e uma poluição visual de entristecer. Sinceramente, para mim é uma questão de saúde pública. Há incontáveis estudos que mostram o quanto uma cidade visual e sonoramente agradável eleva a sensação de bem estar de seus cidadãos. Mais do que isto: mostra uma preocupação do poder público para com eles. Mais ainda: faz com que o cidadão habitante naquela cidade compreenda que há uma esfera superior administrando estas questões e, consequentemente, sente-se amparado. Não quero ensurdecer nem ficar cego. Quero uma cidade mais silenciosa e bonita. Enfim, quero respeito.

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