“Pai nosso, que está no céu, ilumina o povo peruano. É preciso pedir a Deus pelo nosso povo peruano que foi muito manipulado”, disse, após a derrota de seu candidato à presidência do Peru, Ollanta Humala. Com os olhos embaciados, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, segundo o correspondente do El Pais, rezou ao vivo em seu programa de televisão, “A Voz do Presidente”. Enquanto isto, Michelle Bachellet, do Chile, visitava Bush, reiterando os acordos comerciais já feitos: “Compartilhamos valores fundamentais e princípios sobre o desenvolvimento democrático, com uma economia aberta a respeito aos direitos humanos”. Uma aliada a menos para incondicionalmente apoiar o presidente da Venezuela. A tendência é que ela siga a mesma política social-democrata de seu antecessor, Lagos.
A resposta de Chávez foi a intenção de abandonar a Comunidade Andina das Nações (CAN), apoiada pelo Peru, agora com Alan Garcia, e a Colômbia de Uribe (também social democrata). E coloca em risco a Alternativa Bolivariana da América Latina (Alba) para se contrapor à Alca , o projeto americano de integrar comercialmente a América Latina. O projeto da Alba conta com o apoio de Evo Morales, recentemente eleito presidente da Bolívia, e o ressuscitado Fidel Castro. Enquanto isto, Chávez compra fuzis novos da Rússia. E planeja construir uma fábrica dos mais novos armamentos.
UMA FÁBRICA DE ARMAS
Talvez os delírios de Fidel Castro incluam uma nova Sierra Maestra. A Venezuela deverá construir a primeira fábrica de armas Kalashnikov na América Latina, segundo acordo com a Rússia, o que gerou temores em Washington quanto à iniciativa de um país rico em petróleo. O governo Hugo Chávez recebeu no último final de semana 30 mil fuzis de assalto, novos, Kalashnikov AK-103, feitos na Rússia, a qual visitará em breve. Em uma entrevista ao “Financial Times”, o general de exército dos Estados Unidos, Frederic Rudesheim, vice-diretor das questões político-militares para o Hemisfério ocidental e membro do conselho do Estado Maior das Forças Armadas, disse que a aquisição de armas pela Venezuela “desestabilizaria a região”.
TREINO PARA A GUERRA?
“Quando se presencia uma compra de tal magnitude por parte de um governo, uma aquisição que está tão fora de sintonia com as necessidades deste governo, isto significa que nos deparamos com um fato desestabilizador”, afirmou Frederic. (O Irã é um fato desestabilizador). Chávez afirma que os Estados Unidos têm planos secretos para invadir a Venezuela. Autoridades venezuelanas dizem que os 100 mil AK-103 substituirão o arsenal de velhos fuzis belgas FAL, que serão armazenados para serem usados por uma força crescente de reservistas do exército, que estão sendo treinados em guerra de guerrilhas.
O acordo, que inclui remessa de munições, prevê licença para a construção da fábrica de Kalasnhnikov. Diz Chávez: “A Venezuela não ameaçará ninguém. No entanto, ninguém deve se iludir. Nós estamos prontos para defender nossa soberania”.


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