Quinta-feira, 9 de maio, um dia que se apresentava ensolarado, com céu de brigadeiro e nuvens esparsas. Nada que pudesse alterar o cenário. Véspera de um final de semana de Dia das Mães. De abraços da minha filha, de mimos de Gabriela Trezzi pela data, de DVDs do meu amante Chico Buarque, de feijoada no Boteco Exportação com a Banda da Lapa, de show no domingo à noite no Auditório Araújo Viana da Maria Rita. Depois do tranquilo, mas animado final de semana, os dias correndo sem ninguém incomodar. Numa calmaria. Sem pauta furada. Com as agendas fechadinhas. Sem vizinho de mau humor e cachorro de focinho torcido. E se melhorasse, perigava de estragar.
Como a inveja anda solta e nem sempre meus orixás estão de plantão, descobri, dias depois, que tentavam se apossar da minha filha. Publicando fotos em redes sociais com legendas compartilhando a maternidade. Mas o que é isto, minha gente? A filha é minha, gerada com muito amor, tratada a pão-de-ló, embebida em colônia Johnson, do Boticário e Natura, perfumada com talco, educada com carinho e dedicação. Por uma mãe presente, preocupada, idolatrada, que nunca negou um minutinho seque de atenção. Neste mais de 18 anos, a maioria na companhia exclusiva da mãe, a minha filha jamais precisou (ai, corrija-me querida Bibi) pedir ajuda de mãe alheia.
Não nego que enfrentamos, volta e meia, momentos nebulosos, até ruins. Dias e noites de DRs. Mas nada que não se resolva e como em todo relacionamento, o retorno é sempre melhor depois de uma briga. Só que nem quando estive nestas situações, andei rifando a minha filha. Ou emprestando. Ou doando. Sabem como é, né? Tem gente por aí infeliz, sem vida própria, profissional e familiar. Sem planos de mudar a mesmice e reverter a tristeza. Por conta disso, querem pegar a felicidade da gente. E, inclusive, o que não rifamos, vendemos, emprestamos ou doamos.
Confesso que até já me desfiz de coisas e pessoas acessórias. Do tipo que não me acrescentavam mais nada. Do tipo usadas que nem mesmo remendos resolveriam. Do tipo descartáveis que nem mesmo repaginadas melhorariam. Do tipo; já peguei tudo o que tinha de bom. Podem se apropriar. Usar. E abusar. Não é o caso da minha filha. Logo, pessoa do mal, invejosa, inescrupulosa, sem sucesso profissional: vá produzir a sua prole. Que aposte na perpetuação da espécie humana. E não só animal. Deixe a minha filha em paz.
Na continuação do meu inferno astral, que sim, se instalou no dia 9 de maio, 30 dias antes do meu aniversário (já lembro todos vocês que me acompanham desta data importante), na semana passada, ao descer do lotação, levei um tombo e ganhei uma luxação no pé esquerdo. Alguns dias com o pé imobilizado, repouso, filmes e filmes na televisão, livros e livros para ler, CDs e CDs para escutar, DVDs para ver. E muito, mas muito carinho mesmo (morra, sua invejosa) da minha amada filha Gabriela. Nada do pé diminuir, do inchaço sumir, do roxo desaparecer.
E tem gente (bobinha) que não acredita no tal do inferno astral. Aquele período que consiste nos 30 dias anteriores à data de nascimento de uma pessoa. Uma época em que eu, mais do que o usual, esbanjo sensibilidade e tenho a impressão de que todo o universo está contra a minha pessoa. Não somente a invejosa que cobiçou a minha filha. Nem o motorista do lotação. Neste espaço de tempo de pouca sorte (não, vou usar aquela palavra), aviso: estou bandida.

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