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Como a tecnologia altera a realidade?

Por Elis Radmann

Em diferentes artigos descrevi como a revolução tecnológica e digital, que está em curso, altera o comportamento das pessoas e, por consequência, o comportamento de toda a sociedade. 

As redes sociais conectaram as pessoas e, especialmente, as pessoas com o mercado e com o mundo. Essa conexão começou a ressignificar a forma como as coisas acontecem, passou a transformar as relações, as preferências e até mesmo a legitimidade de empresas e profissionais. E nesse contexto a “disruptura” se tornou a palavra da moda e significa “quebra de continuidade”.

A máquina é apenas o “meio” dessa transformação social que estamos vivendo. A verdadeira transformação em curso é comportamental e atinge em cheio as relações sociais e a forma de organização e produção das empresas e dos profissionais.

Para ficar mais claro, vamos lembrar as recentes mudanças no mercado da mídia tradicional. Com a entrada das redes sociais, emissoras de televisão, rádios e jornais impressos começaram a sentir a diminuição de seu público e iniciaram um processo de mudança da sua forma de atuação. Quando o jornalista vai dar a notícia, as redes sociais já debateram o “onde e quando aconteceu”. O jornalista precisa explicar o “como aconteceu, e o que motivou o acontecimento”. 

Vamos pensar no professor, que cada vez mais precisa ter o conhecimento “na ponta da língua”, com o risco de o aluno conferir no Google durante a aula. Falando nisso, a “cola” se tornou mais prática, pois está em blocos digitais que podem estar no celular ou até mesmo no relógio de pulso. Nesse cenário, quanto mais tradicional for a aula do professor, maior a tendência de indisciplina dos alunos. Tal comportamento é motivado pela diferença de modelos mentais: de um lado, a gurizada com um modelo mental digital, e de outro, professores com pensamentos e práticas analógicas.

E o caso dos médicos também nos mostra uma alteração de legitimidade social. Até pouco tempo o médico era respeitado por ser um oráculo da área da saúde, as pessoas não costumavam questionar o que o médico dizia. Hoje as pessoas pegam um exame e vão pesquisar na internet, ver o que significa e qual a gravidade. Pesquisam tratamentos e medicações e quando chegam no médico trazem dúvidas, questionam e, em alguns casos, mudam de médico.

Nem o vendedor escapa das consequências dessa revolução digital. Antes o vendedor mostrava as opções de um produto, dava informações sobre o valor e forma de pagamento. Hoje o vendedor precisa ser um consultor, precisa ter conhecimento sobre os detalhes do produto e ter muita empatia. Se o vendedor não mostrar que entende a necessidade e não interagir com o cliente, poderá perder a venda para o comércio eletrônico.

Antes tudo o que um arquiteto mostrava era show, encantava o cliente. Hoje não é mais assim. O cliente procura o arquiteto com muitas opções de design, de estilos e modelos de ambientes que estão disponíveis em páginas especializadas no Instagram. O arquiteto não pode mais chegar com o seu modelo pronto, precisa interagir com as tendências que o seu cliente trouxe.

Esse debate é tão vasto que poderia adentrar em tantas outras profissões, algumas delas como os bancários, que precisam se envolver cada vez menos com os seus clientes, ao passo que não serão mais necessários. 

E você pode ir pensando em tantas outras mudanças sociais que estão ocorrendo ao seu lado ou, até mesmo, dentro de sua casa, sem esquecer que esta revolução está em curso!

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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