É ao mesmo tempo prazerosa e gratificante a tarefa de descrever a história da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre. A Coojornal, como era conhecida – o Coojornal, no gênero masculilno, é o mensário que também fez história, mas esta é outra história que ainda vamos contar –, teve uma trajetória marcante e levou à criação de outras 14 no país, todas espelhadas no nosso modelo inspirador. Éramos convidados a palestrar por este Brasil, plantando a sementinha em locais como Salvador, Recife, Rio, Natal, Santos (onde nasceu a cooperativa paulista), entre outros.
Aqueles 66 fundadores ajudaram a erguer a Coojornal subscrevendo quotas-partes do capital inicial. Ali naquela assembleia de fundação, cada um se comprometeu com a ideia assinando notas promissórias no valor de 350 cruzeiros, o que equivalia a um salário-mínimo. Ao assinar aqueles papeis azuis, parecia que estavam em um recreio, tão alegres e fraternos conversavam aqueles homens e mulheres que se propunham a escrever uma nova página na história da comunicação do Rio Grande do Sul.
Para cada um, todos profissionais assalariados que começavam a ser empreendedores, era um valor relevante que seria pago em suaves prestações, e o bolo que começou a ser formado ia para uma caderneta de poupança. Os primeiros meses foram de pura acumulação, pois a organização não apresentava despesa nenhuma, já que não havia cargo remunerado e a primeira sede funcionava em uma sala na Rua José do Patrocínio, oferecida sem ônus pelo fotógrafo Floriano Bortoluzzi, e não por acaso localizada exatamente em frente ao prédio onde eu morava. Ali os primeiros dirigentes se reuniam a cada 10 ou 15 dias, levantando ideias, traçando planos, idealizando.
Ao meu lado estavam Luiz Cláudio Cunha, vice-presidente, e Rejane Baeta, secretária, mas também eram presentes os conselheiros Carlos Bastos, Danilo Ucha, Jorge Olavo, José Félix Valente, Victor Hugo Sperb e Sérgio Caparelli. Assim como os conselheiros fiscais Antônio Britto, Luiz Terra Júnior, Érico Valduga, João Souza, Tomás Pereira e Carlos Karnas. Uns mais, outros menos, como sempre acontece nestes colegiados, todos desfilavam por lá com suas ideias e opiniões e vontades e desejos.
Até que um dia surgiu a oportunidade para se passar do sonho à ação. Dois associados, Elmar Bones e Jorge Polydoro, tocavam, com o apoio do empresário José Abujamra, uma sociedade que editava o mensário Jornal do Inter e dois pequenos house-órgãos. O afastamento do empresário criou um impasse para os dois jornalistas, que ofereceram o negócio para a cooperativa.
Como a proposta envolvia desembolso de algum recurso, para comprar os direitos de edição das publicações, convoquei o Conselho Fiscal para analisar os números e a viabilidade do negócio. Estes conselheiros se debruçaram e não tiveram dúvidas: ali estava uma alavanca segura para a Coojornal começar a existir de verdade.
Aquele embrião cresceu rapidamente: apenas meio ano depois, em novembro de 1975, a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre estava com quase 200 associados, um capital de 500 mil cruzeiros, editava o Jornal do Inter e outros cinco veículos para terceiros, e lançava o boletim que herdou a sigla da empresa. O Coojornal tinha oito páginas e foi criado para manter os associados informados sobre o que se fazia naquela casa alugada na Rua Comendador Coruja, em Porto Alegre.
E não faltavam histórias para contar.
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Ênio Lindenbaum era um dos mais entusiastas colaboradores da Coojornal. Trabalhava no Comercial e era responsável pelos contatos com potenciais anunciantes e com os clientes. Quando estes eram outras cooperativas, parecia uma criança tão contente que ficava quando conversava com grandes amigos, como o Ruben Ilgenfritz, da Cotrijuí. Quem o conheceu, concorda: era um cara afetuoso, bondoso, inteligente e com um permanente bom humor, mesmo quando a doença insidiosa o perseguia e tomava conta dele. Um amigo leal, que agora descansa.



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