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Quem está com cara de quem comeu e não gostou, pelo menos comeu. Quem neste verão entrou numa fria está numa cela refrigerada. Quem …

Quem está com cara de quem comeu e não gostou, pelo menos comeu. Quem neste verão entrou numa fria está numa cela refrigerada. Quem levantou com o pé esquerdo foi mais longe que um entrevado. Quem deu o braço a torcer está apto ao contorcionismo. Quem está por um fio ainda não foi apanhado na teia. Quem não tem onde cair morto fica em pé mais tempo. Quem foi desta para melhor finalmente saiu da eme em que estava. Quem ficou chupando os dedo perdeu só os anéis. Quem é passado pra trás não é mais perseguido. Quem já deu o que tinha que dar, agora está livre dos pedintes. Quem caiu no conto do vigário já pagou os pecados. Quem está com a corda no pescoço não está com a garganta desagalhada. Quem subiu pelas paredes viu a crise do alto. Quem não se agüenta mais nas tamancas descalço não está. Quem chorou o leite derramado lubrificou os olhos. Quem ficou a ver navios curtiu a paisagem. Quem caiu em si foiaparado pelo ego. Quem dançou conforme a música, deu um show. Quem está desenganado não se equivoca mais. Etc.

IMPLANTANDO TUDO DÁ
A Reforma Agrária na visão dos cartunistas gaúchos

São 8 milhões de km2 de terras, séculos de reivindicações, décadas de charges na imprensa, 30 reproduções dessa graça ainda não alcançada, no Café do Cofre do Santander Cultural. Confira a agrura agrária nos traços do Bier, Byrata, Canini, Cristiano Ribeiro, Edgar Vasques, Eugênio Neves, Hals, Juska, Kayser, Koostella, Moa, Rafa, Santiago, Uberti e Vilanova. Pra apresentar a exposição, fiz dupla com quem sabia há mais tempo o valor de não ter o seu chão.

Canção do Exílio Rural
(Fraga daprés Gonçalves Dias)

Minha terra tem alqueires,
Onde o plantar não se dá;
Nos acres que aqui se aram,
Arados não sulcam lá.

Nosso chão tem mais disputa,
Nas disputas vencem os senhores,
Nossas leis têm mais delongas,
Nessa delonga mais dores.

Em reinvindicar dias e noites,
Mais desdizer legislam lá;
Minha terra tem alqueires,
Onde o plantar não se dá.

Minha terra tem abandono,
Que donos não produzem cá;
Em protestar – sob o açoite –
Mais desprazer eu sofro lá;
Minha terra tem alqueires,
Onde o plantar não se dá.

Não permita Incra que eu morra
Sem que me aposse a capinar;
Sem cooperativar os tratores
Que nada cultivam por lá;
Sem quinda assuma os alqueires
Onde o plantar não se dá.

(E o título da exposição, que eu gostaria de ter
criado, é do não menos criador Eugênio Neves)

AMBIGRAMICES

E o Fraga foi regalado por mais um ambigrama, aquela construção gráfica que você gira 180o e continua lendo o que já leu, ou lê algo que não viu oculto de cabeça para baixo. O artista que agora me brinda com sua (ambi) destreza visual é o chileno Homero Larrain, que se assina Hoemro. Ele é um novato mas já cria como ambigramista veterano. Enquanto não abro meu site de da arte dos ambigramas, confiram o blog do meu amigo Hoemro e batam palmas pra ele lá. Daqui, aplaudo eu essa criativa homenagem. Gracias!

Autor

Fraga

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