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O conceito de comunidades é antigo. Desde sempre, as pessoas se organizam em comunidades, com os mais variados interesses. Uma comunidade é um grupo, …

O conceito de comunidades é antigo. Desde sempre, as pessoas se organizam em comunidades, com os mais variados interesses. Uma comunidade é um grupo, organizado ou não, que orbita em torno de uma causa, de um interesse, de um evento, etc.

Pois a Internet serviu como um grande facilitador para que, em especial as pessoas mais jovens, criem suas comunidades. Na verdade, as novas tecnologias (e não apenas a Internet) geraram este fenômeno. Hoje, a gurizada mais nova faz uma festa na noite de quinta e na mesma noite as fotos da festa já estão no Orkut.

Se a tecnologia serve para aproximar (já que o contato via Internet é instantâneo) ou para afastar (o contato eletrônico substituindo o real) ainda vamos levar um tempo para descobrir. A mim, me parece que serve para aproximar. Não vejo os jovens distanciados uns dos outros em função do uso de tecnologia.

Acredito, inclusive, que a tecnologia sirva para ajudar os jovens. Explico. Adolescência é uma idade de inquietações, incertezas e angústias. Com o uso de um simples Msn, é possível que vários jovens compartilhem suas angústias. Seria possível compartilhar sem a tecnologia? Sem dúvida. Mas no Msn, talvez até por não estarem fisicamente um na frente um do outro, talvez os jovens sintam-se mais à vontade para falar daquilo que os inquieta.

Claro, tem o outro lado. Um ombro amigo é bem melhor quando o amigo está na nossa frente, não somente via tela do computador. Receber um sorriso de compreensão naquele momento de ansiedade é bem melhor quando o sorriso é real, não virtual.

A tecnologia e o nosso novo modo de vida excessivamente dinâmico teve impacto forte tanto no ritmo quanto forma de relacionamento dos jovens. Passaram a “ficar”, que podemos chamar de “clique afetivo do mouse”, ou seja, num momento a pessoa está com um, clica e está com outro, exatamente como nas páginas da Internet.

Também impactou na profunidade destes relacionamentos, que tendem a ser mais superficiais e rápidos, exatamente como a informação na Internet. Temos milhares de anos de história da humanidade armazenados, temos todas as descobertas científicas, tudo ao alcance do mouse. A questão não está em conseguir a informação, mas em o que fazer com ela após conseguir. De que me vale ter uma gigantesca massa de informações se eu não puder analisá-la? Falta aprofundamento, exatamente como vem ocorrendo com os relacionamentos da galera de hoje. Este pode ser um efeito negativo. Mas sinceramente não sei dizer, acho que só será possível dizer daqui a alguns anos. Porque a inconstância é característica da adolescência, não foi inventada pela internet, apenas potencializada.

Diante de tanta inconstância, volatilidade e superficialidade, os jovens buscam abrigo nas comunidades. São os refúgios modernos (embora muitas vezes virtuais) para as pressões deste mundo em constante mudança.

Autor

Flavio Paiva

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