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Confiança, confiar ou não confiar

Por Flavio Paiva

Uma das coisas mais valiosas nas relações entre pessoas e empresas (que não deixam de ser relações entre pessoas) são aquelas em que é possível confiar. Ter segurança no que a outra parte faz, como se move. Sim, isso demanda tempo, pois é preciso que ambos se conheçam um pouco, tenham massa crítica para poder ficar mais seguros.

Nas relações pessoais (me refiro aqui às não profissionais), a confiança é um valioso ativo que se entrega numa relação. Porque confiança (não é fácil confiar de modo totalmente incondicional, mas acontece) é resultado de observação e, mais do que tudo, atos. O que a outra parte diz, faz, como se move e uma questão principal, como ela faz essas coisas quando você não está presente. Na sua ausência, a alguns quilômetros ou muitos, fará ela valer um acordo tácito existente entre os dois?

Ingênuo, me dirão alguns. Definitivamente não. Não estou fazendo aqui uma defesa da confiança, acreditando que seres humanos são totalmente confiáveis e não cometem nem deslizes nem atos de má fé mesmo. Óbvio que cometem, algumas vezes de forma não intencional, mas em várias, de forma totalmente intencional. Já fui vítima disso, óbvio. Acredito que quase todo ser humano tenha sido. Mas falando pessoalmente, sem dúvida que sim. 

O que acontece quando isso ocorre é uma grande decepção, se estamos falando de uma relação importante na vida. Porque o que foi construído até então, foi posto abaixo. Não prevaleceu. Ou faltou mesmo caráter para essa outra pessoa. Já para aquelas pessoas com as quais mantemos relações menos importantes ou mesmo que tenham dado algum sinal de serem inconfiáveis, a surpresa não é muito grande. Só mostra de forma clara, inquestionável, com quem tipo de pessoa estamos lidando.

Agora vamos para o outro lado, o da confiança correspondida, se posso chamar assim. Nesse caso, temos um ativo muito poderoso para construção seja de uma vida pessoal, um relacionamento (amizade, amoroso, o que for). São pilares mais sólidos, alicerces nos quais é possível estabelecer as fundações de algo que tem grandiosidade e potência. Além de gerar um sentimento de conforto, de alegria numa certa medida. Mas claro, saber que pode confiar em alguém de forma mais profunda também deve ser um compromisso(ético) de fazer o mesmo pela outra pessoa. E até que(caso isso aconteça) uma das partes rompa esse acordo, estamos vivendo um grande momento ou período.

O mesmo se dá entre empresas, onde a coisa é mais delicada. Explico. Em empresas que tenham atuações complementares, é mais fácil de termos relações de confiança da mesma forma poderosas. Igualmente, capazes de construir algo sólido e grandioso. Porém, em empresas concorrentes, a linha é mais tênue e, de novo, lembrando que estamos lidando com pessoas, se mudarem as pessoas, pode mudar a relação de confiança.

Estamos caminhando em princípio para relações entre empresas acontecendo de forma mais ética, mas comprometida e mais verdadeira. Apesar de ser muito falado, se trata de um fenômeno novo. Vejo ainda coexistirem relações de dois tipos entre empresas: as mais cooperativas e de confiança e as de concorrência intensa, em que não são respeitados princípios muito éticos não. 

Por tudo que passamos em 2020, tenho um pouco de esperança (um pouco) de que as relações possam se tornar mais éticas. Mas como fiz questão de ressaltar, um pouco. Porque, ao final e ao cabo, estamos lidando com seres humanos, com todas as suas idiossincrasias, capazes de bondade, sim, mas também de maldades. Então, tenho esse pouquinho de esperança, com os olhos bem abertos para a realidade.

Autor

Flavio Paiva

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