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Das últimas leituras, terminei colhendo algumas informações e conclusões importantes: o governo do Brasil está novamente apostando no consumo de sua população para impu

Das últimas leituras, terminei colhendo algumas informações e conclusões importantes: o governo do Brasil está novamente apostando no consumo de sua população para impulsionar a economia. Tal como fez em 2008. E, diga-se de passagem, funcionou. Mas e agora, vai funcionar.

O endividamento das famílias brasileiras está batendo em 43% em 2012, contra 31% em 2008. Para que sirva de parâmetro, nos Estados Unidos(que todos sabem são a pátria do consumo) temos um patamar de 16% de comprometimento da renda em pagamento de dívidas. Com uma diferença fundamental: por lá, há uma estrutura e padrão de vida infinitamente superiores aos do Brasil.

Está claro que já há um esgotamento no nível de endividamento brasileiro. O próximo passo será indubitavelmente a inadimplência. Lamento que o governo federal encontre unicamente no consumo da população a saída para uma crise. Lamento duplamente: pelos cidadãos que ampliam seu endividamento numa ânsia consumista(padrão de consumo não encontrado em outros países; esta ânsia é muito brasileira, de termos o último eletrônico, o carro zero, a roupa de marca, em detrimento de itens bem mais importantes como educação, habitação e cultura) e pelo governo fomentar quase que exclusivamente o consumo. O valor do bem, do material, é inquestionável. Privilegia-se de toda forma o material. O ter. Mas não há um pensamento no ser. Um pensamento no pensamento. Onde terminaremos com um governo que induz seus cidadãos a gastarem todas as suas energias e economias no consumo, consumo, consumo?

Isto porque quando o dinheiro escassear, os brasileiros se sentirão esvaziados. Ocos de qualquer coisa. Como sempre é quando se privilegia unicamente o dinheiro. Claro que não sou contra consumir, muito pelo contrário. Adoro os bons prazeres da vida, incluindo aqueles que o consumo é premissa. Mas que não se faça somente esta aposta na vida, que os recursos – afinal de contas vindos de nós, cidadãos, através de impostos – sejam também direcionados a projetos, visões, pensamentos e realizações mais profundas. O consumo acaba, a cultura não. Um carro, um smartphone, um laptop têm prazo de validade. O conhecimento, nunca. 

Autor

Flavio Paiva

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