Por estar passando alguns dias no litoral, a coluna desta semana inevitavelmente fará parte deste universo. Mas não fugirei aos temas característicos da coluna e abordarei o comportamento dos indivíduos.
Notei que os veranistas na beira da praia, ao verem um catador de latas (não gosto deste termo, o acho pejorativo, mas vou usá-lo em função da clareza do texto), imediatamente o chamam, entregando-lhes suas latas vazias.
Esta atitude mostra uma mudança de comportamento positiva nas pessoas, em dois aspectos: consciência social e de preservação ambiental.
O aspecto da consciência social refere-se ao fato de os veranistas saberem que os catadores de latas tiram dali o seu sustento. A idéia de solidariedade se faz presente. É verdade, como dirão alguns, que os veranistas estão
entregando algo que não tem para eles mais nenhuma utilidade. Pelo contrário, até lhes causa incômodo. Ainda assim, chamar os catadores e lhes entregar as latas mostra uma preocupação de que o que não mais lhes serve (aos veranistas) mas tem utilidade ao próximo, chegue a este e seja devidamente aproveitado.
Um parêntese: em que pesem todas as críticas ao programa Fome Zero, do governo Lula, entendo que este tem o mérito principal de colocar a solidariedade e preocupação social na ordem do dia. Ao fazer a caravana pelo Nordeste, acompanhado pelos veículos de comunicação, Lula “obrigou” estes veículos a enviarem imagens de alto impacto, de pessoas que vivem como bichos (certamente pior do que muitos, como a cachorrinha da Vera Loyola, que recentemente doou seu colar de ouro – o da cachorrinha, não da sua dona – para o programa Fome Zero) para as casas de milhões de brasileiros. Imagens fortes e que causam indignação e preocupação nos brasileiros. Como vemos, portanto, a solidariedade está na moda.
O outro aspecto revelado pelos veranistas ao entregarem suas latas para os catadores ou as colocarem no lixo é a preocupação com o meio ambiente. Comparando com o comportamento das pessoas há alguns anos atrás (nem tantos anos assim), a mudança é muito grande. As pessoas estão muito mais conscientes da necessidade de não ficarmos agredindo indefinidamente o meio ambiente. Também se deram conta de que as latas, garrafas plásticas, copos, espigas de milho, etc, deixadas na areia não se decompõem de um dia para o outro nem são tiradas pela Divina Providência. Evidentemente que estamos falando ainda de uma parcela da população. Muitas pessoas insistem em fazer das praias e das ruas depósitos de lixo. A estes falta educação e consciência. Mas tenho fé de que chegaremos lá. É comum vermos os veranistas levando sacolas plásticas para acondicionarem o lixo que produzem e empresas ou órgãos públicos fazendo distribuição destas sacolas, numa tentativa de incentivarem as pessoas a poluírem menos.
Campus e Bookman
Exatamente por estar na praia, não recebi os lançamentos das duas editoras. Assim, sugiro que os leitores visitem os sites de ambas para conhecerem os vários lançamentos.
Campus: www.campus.com.br
Bookman: www.bookman.com.br

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