Na mesma semana em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, positivou para Covid, todos aqui em casa também entraram para a estatística. Em uma escadinha, os sintomas foram aparecendo e comprovando, na pele, que não é nada parecido com uma gripezinha. Sorte de quem nada sente ou tem apenas sintomas leves. Não há mesmo como prever. Ao ligar o noticiário para tentar me distrair um pouco de tantas dores, indisposições e tudo que o coronavírus trouxe em cheio, me deparo com a desastrosa aparição de quem deveria ser um dos maiores exemplos mundiais.
Lá estava ele, expondo assessores dentro do mesmo carro, quando decidiu dar uma volta para lembrar o quanto ele é um mau exemplo para o mundo. Contrariando todas as recomendações médicas, tirou a máscara para discursar ao sair do hospital. Um show de horrores. E não há quem segure alguém tão sem noção como esses tipos. Fico pensando nos responsáveis pela comunicação de pessoas como ele, que deveriam se preocupar com um legado, construir uma imagem positiva e acabam ocupam espaço nobre perante todos os outros meros mortais dando exemplo de como não ser.
Essa reflexão vem em tempos de campanha política, em que precisamos ser responsáveis ao observar o que os candidatos estão dispostos, de fato, a construir com a sociedade. São nossos representantes eleitos democraticamente em esferas que só eles têm o poder do sim e do não. Não dá para se enganar, não temos tempo a perder. Precisamos de bons exemplos para os nossos filhos. Como explicar para as crianças que um dos maiores chefes de poder mundial está contaminado e não está isolado? Como mostrar que precisamos ser responsáveis pelas nossas escolhas se quem mais deve ser não chega nem perto disso?
Nas campanhas publicitárias que estão chegando às nossas casas, é preciso, acima de tudo, verdade. Quem está liderando essa frente precisa deste compromisso. Não é hora de maquiagem, de frases de efeito ou de discursos prontos. Precisamos evoluir como profissionais de comunicação e entregar ao público o que de fato há chance de acontecer, sem promessas eleitoreiras. Que os maus exemplos – que este mundão tá cheio – sirvam de lição sobre o quanto precisamos trabalhar o impacto da imagem e o reflexo de pessoas públicas no dia a dia de cada um e no futuro de todos nós.


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