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De que lado da história tu quer estar?

“Toda história tem dois lados,

mas só o tempo mostra se tu escolheste o lado certo.”

Eu gostaria de falar sobre coisas boas. Eu gostaria de fazer um texto sobre o Globo de Ouro que conquistamos, sobre a Fernanda Torres como uma “santinha” da sorte, sobre a Holanda que zerou os animais de rua, sobre o amor que me invade nas últimas semanas. Afinal, é o início de um novo ano, o começo de um novo corte de tempo, aquele momento em que a gente costuma projetar esperança, reconstrução e futuro. Mas é simplesmente impossível iniciar um texto hoje falando sobre isso depois do absurdo que vimos Donald Trump dizer nos últimos dias.

Trump se coloca como juiz moral do planeta. Ele deixa claro que se enxerga como o guri mais forte do recreio, aquele que bate em todo mundo, que faz o que quer, que impõe suas vontades sem qualquer limite. A mensagem é direta e assustadora: quem tem mais poder manda, quem tem mais armas decide, quem tem mais dinheiro não precisa dar explicações. Essa lógica não é liderança, é barbárie.

O que mais vem me surpreendendo nos últimos anos, desde que Trump assumiu o protagonismo político novamente, é a fragilidade da democracia americana. Aquele sonho vendido ao mundo de que a democracia dos Estados Unidos era sólida, madura, com instituições fortes e capazes de conter abusos, se revelou uma grande balela. Estamos assistindo diariamente, pela televisão e pela internet, ao desmonte desse mito. As instituições não apenas falham, como se curvam. E o autoritarismo avança com naturalidade assustadora.

Internamente, os Estados Unidos vivem um cenário cada vez mais violento. Violência contra a própria população, contra os mais pobres, contra minorias, contra quem pensa diferente. Violência acompanhada de fome, miséria, crise no sistema de saúde e um abandono social que contrasta com o discurso de potência e prosperidade. O caso do assassinato da americana Renée Nicole Good escancarou isso de forma brutal. Uma mulher, mãe de três filhos, poetisa, amada pelos vizinhos, morta a tiros por um agente do Estado durante uma ação de imigração. Um episódio tratado com frieza, com versões oficiais questionáveis e com a tentativa de transformar a vítima em culpada. A vida humana virou detalhe.

Esse caso deixa claro que a política de Trump não é em defesa do povo americano. É uma política pessoal. De poder. De controle. De riqueza. Trump age como alguém que se sente rei, um déspota moderno que acredita ter autorização para destruir tudo e todos que possam, de alguma forma, ameaçar seu reinado. Não há empatia, não há compromisso com valores democráticos, não há respeito pela vida. Há apenas ego, vaidade e sede de dominação.

No plano externo, o cenário é ainda mais perigoso. A política internacional americana se tornou mais agressiva, mais violenta e profundamente hipócrita. Trump fala em moral enquanto ameaça nações, interfere em soberanias e naturaliza a morte como instrumento político. É o moralismo seletivo de quem se acha acima das regras. De quem acredita que pode decidir o destino do mundo porque comanda o maior exército e a maior economia do planeta.

É fundamental que o mundo inteiro entenda uma coisa de forma definitiva: não existe xerife. Nem se ele fosse bom. Muito menos quando é um bandido político travestido de líder. Não podemos deixar as decisões globais nas mãos de alguém com comportamento claramente autoritário, impulsivo e perigoso. Não há como aceitar que um psicopata político determine os rumos do planeta simplesmente porque detém poder militar e econômico.

Nós não vamos aceitar isso. Melhor dizendo, nós precisamos não aceitar isso. Precisamos nos organizar, olhar para os lados, fortalecer alianças baseadas em respeito e pensar coletivamente um caminho diferente. Um caminho de paz. Um caminho de diálogo. Um caminho que coloque a vida humana e a soberania das nações acima de qualquer interesse econômico, estratégico ou pessoal.

Não pode ser um pirata que vai definir as regras do jogo daqui pra frente. A história mostra que todo império que se sustenta pela força, pela arrogância e pelo desprezo à vida termina ruindo. E cabe a nós decidir de que lado da história queremos estar.

Autor

Fernando Puhlmann

Sócio-cofundador da Cuentos y Circo, Puhlmann é um dos principais especialistas em YouTube do país, com um olhar focado em possibilidades de faturamento na plataforma e uma larga experiência em relacionamento com grandes marcas do mercado de entretenimento. Além de diretor de Novos Negócios da CyC, tem também no seu currículo vários canais no país, entre eles o do escritor Augusto Cury, do Gov Eduardo Leite, Natália Beauty e do Grêmio FBPA, sempre atuando como responsável pela estratégia de crescimento orgânico dos canais. Já realizou palestras sobre a nova Comunicação juntamente com diretores do YouTube Brasil como a abertura do 28º SET Universitário da Famecos-PUCRS, o YouPIX/SP e o Workshop YouTube Gaming Porto Alegre. Desde 2013, Puhlmann ministra cursos, seminários e oficinas sobre YouTube, tendo mentorado mais de 30 canais nos últimos anos.
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