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Desconfiança e sob suspeita

Por Flavio Paiva

Em tempos de Coronavírus, as pessoas e as empresas se comportam de maneira similar: com desconfiança e com . coisas sob suspeita. Desconfiança no sentido de perderem a confiança, ou seja, aqueles que estavam acreditando em um futuro imediato mais próspero, passaram a não ter tanta confiança assim de que as coisas venham a acontecer. Não falo de todas as pessoas, mas entendo que boa parte.

E isso diz respeito também certamente a uma cobertura massiva(muitas vezes massiva demais, até, a tal ponto que as pessoas estão chegando ao limite do cansaço sobre Pandemia e seus desdobramentos para a saúde e para a economia) de alguns veículos de comunicação, jornalistas e influenciadores, podcasters, entre outros. A coisa muitas vezes tem passado o limite do caráter informativo para se tornar massacrante. Não podemos nos esquecer de que o tempo todo estamos falando com seres humanos e que, dado o caráter incerto e assustador do Coronavirus, estão muito mais sensíveis e desgastadas. Assim sendo, se submetidas (ou se se submeterem a essa cobertura massiva, mais whatsapp, sejam grupos ou pessoas, mais redes sociais) a tanto estímulo de um modo geral negativo, podem sucumbir ou então ficar seriamente abalados, saindo do seu centro.

Aí entro no segundo aspecto: o da suspeição. Pessoas agora colocam tudo e todos sob suspeita, pois todos são possíveis fonte de vírus e contágio. Talvez as coisas não sejam bem assim, mas há também um elemento fundamental  que é o medo, que potencializa e aumenta consideravelmente esse sentimento. Assim é que se duas pessoas que se cruzavam por exemplo em seu prédio, uma vez ou outra e eram amistosas, podem ficar até hostis ou pelo menos com receio de que esteja ali uma causa de problemas futuros graves. Então, é um momento em que todos estão sob suspeita, no sentido do contágio. Uma pessoa se tornou exagerando um pouco um agente patológico.

Somando essas duas coisas, a desconfiança(não confiança) e suspeição, temos um concentrado para prejudicar a saúde mental de todos. Não acho que tenhamos que deixar de tomar cuidados, de forma alguma. Sei da importância para no mínimo reduzirmos a velocidade de propagação do vírus. Tanto assim que me cuido e bastante. Mas falo mais no ingrediente psicológico que está colado a tudo isso.

É preciso que haja um movimento em sentido contrário. Não alienante, mas já que falamos em achatar a curva, vamos fazer um movimento para achatar a curva do medo e da ansiedade. A partir de medidas como o diálogo e a proximidade(já que presenciais estão complicados nesse momento, que sejam virtuais), da presença e da parceria. Se conseguirmos relembrar a nossa condição humana e de grupo(população mundial, cidades, bairros e até prédios), conseguiremos talvez aumentar a disseminação da solidariedade, do sorriso e do companheirismo, usando outra poderosa ferramenta para isto: a empatia. Não está difícil ser empático nos dias de hoje, já que todos estamos no mesmo barco de uma forma que nunca antes aconteceu na história da humanidade. Então, vamos nos aparceirar e passar por tudo isso da forma menos dolorosa possível.

Autor

Flavio Paiva

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