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Desdigitalização

Por Flávio Paiva

Depois da desbancarização, a desdigitalização. O termo, estou usando livremente. Já foi citado antes. Meu termo remete a uma ideia de viver mais intensamente o mundo real e menos o virtual. Mas veja bem: isso não é igual a demonizar o virtual nem mesmo reduzir a importância dele. 

O universo digital (ou seja, uma enorme parte do que fazemos) é altamente relevante e concentra inúmeras coisas, de maior ou menor importância. Considero desnecessário aqui ressaltar a importância do que acontece no meio virtual. Até entediante, já que é do conhecimento de todos, em menor ou maior grau.

Já a desdigitalização surge da ansiedade, da necessidade e o quase impulso ao ambiente físico, à natureza, ao convívio presencial. A pandemia entrou rachando, provocando o fato de as pessoas se isolarem inicialmente por obrigação e continuarem, muitas, isoladas, por dificuldade de retomar o convívio. Ou mesmo por estarem num certo útero materno, numa zona de conforto. No ambiente virtual, no convívio virtual, tenho um controle maior do que está acontecendo. E quando terminar uma interação, ela termina. E por aí vai.

Relacionamentos de qualquer natureza dão trabalho. Criar filhos dá trabalho. Trabalhar dá trabalho. Viver dá trabalho. Só que existem experiências incríveis que vêm daí. Maravilhosas e impulsionadoras de crescimento, de desenvolvimento humano. Assim é que a humanidade não passou pelos séculos isolada, ao contrário. Foi em grupos que enfrentou as adversidades, viu o feio e o bonito da vida. Se maravilhou e se decepcionou.

Então, o cuidado e o desejo, os dois juntos dentro da mesma pessoa, que existem são de se por um lado ficar dentro de sua zona virtual de conforto, por outro lado conversar com alguém olho no olho, estabelecendo uma conexão diferente e mais profunda do que a virtual. E sim, envolvendo os eventuais riscos que isso possa gerar. Viver é risco. Sempre.

Então, ao contrário do que faria parte do pessoal que me lê ficar feliz, não sou anti-digital não. Sou pela vida, em suas mais variadas formas. E como tudo na vida, a gente deve equilibrar. O caminho do meio. Em alguns momentos sim, indo fortemente para um lado. Em outros, para o outro. Mas no final de um dia, uma semana ou um ano, o saldo deve em primeiro lugar ser positivo para a pessoa e para isso acontecer, provavelmente vai pender para o caminho do meio (não estou aqui com bandeira de caminho do meio, só acho que ele realmente é o do maior aprendizado). 

Autor

Flavio Paiva

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